da Redação
06 junho 2026
Irã lança mísseis contra Kuwait e Bahrein; EUA interceptam.
As forças armadas dos Estados Unidos disseram neste sábado (6) que interceptaram sete mísseis disparados pelo Irã contra o Kuwait e o Bahrein, em mais um episódio da escalada militar que vem marcando o Oriente Médio nas últimas semanas. O anúncio ocorreu horas depois de a Guarda Revolucionária Islâmica afirmar ter atacado “bases inimigas na região”.
Segundo comunicado do Ministério da Defesa do Kuwait, os projéteis foram detectados e abatidos ainda na madrugada, sobre áreas residenciais. A interceptação provocou queda de destroços, que causaram danos materiais, mas não deixaram vítimas.
O Corpo de Bombeiros kuwaitiano informou ter atendido três ocorrências relacionadas ao impacto de fragmentos, incluindo dois incêndios e um caso de segurança preventiva.
O Bahrein também foi alvo dos disparos, mas não há relatos de mortos. Autoridades locais reforçaram medidas de segurança e pediram calma à população. A ofensiva foi condenada por países vizinhos.
O Catar classificou os ataques como “violação flagrante da soberania” e pediu imediata redução das tensões. A Jordânia chamou a ação de “perigosa escalada” e reiterou solidariedade aos dois países do Golfo.
Os Estados Unidos confirmaram ainda que suas forças derrubaram quatro drones iranianos lançados em direção ao Estreito de Ormuz. Em resposta, atacaram instalações de radar de vigilância costeira na ilha de Qeshm e em Goruk, na costa sul do Irã. Washington afirma que as operações têm caráter defensivo e visam garantir a segurança da navegação internacional.
Líbano
No Líbano, a crise política e militar ganhou novo capítulo. Um ataque israelense no sul do país matou dois oficiais e um soldado do exército libanês. O governo condenou a ação, dizendo que viola o cessar-fogo em vigor.
Analistas apontam que o impasse interno libanês não poderá ser resolvido sem um quadro claro oferecido pelos Estados Unidos ou um entendimento direto entre autoridades locais e o Hezbollah. “O estancamento não é sustentável”, disse o especialista Joe Macaron.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, rejeitou acusações de que Teerã estaria usando o Líbano como moeda de troca em negociações com Washington. “Se fosse verdade, já teríamos fechado um acordo há muito tempo”, afirmou. O político cristão libanês Samir Geagea reforçou críticas ao papel do Irã, dizendo que o país mantém um “projeto de proxy” em solo libanês e pediu o desarmamento do Hezbollah.
Israel, por sua vez, intensificou operações em Gaza. Tropas abriram fogo nas proximidades do Hospital Pediátrico El Dorra, em Gaza City, dentro de uma área classificada como “zona amarela”, onde o exército restringe movimentações. Relatos locais indicam que drones e tanques participaram da ação.
A escalada preocupa mediadores internacionais. A Al Jazeera destacou que ataques semelhantes já haviam atingido o Aeroporto Internacional do Kuwait dias antes, matando uma pessoa e ferindo 60.
“Cada novo ataque endurece posições políticas e militares, tornando mais frágil a possibilidade de uma solução negociada”, disse o jornalista Zein Basravi, em Doha.
Diplomatas alertam que o prolongamento do conflito ameaça a economia global, já afetada por bloqueios no Estreito de Ormuz. O Kuwait classificou o ataque iraniano como “assalto descarado” e advertiu que a ação representa “grave ameaça à vida de cidadãos e à estabilidade regional”.
Enquanto EUA e Irã buscam criar vantagem nas negociações, Israel mantém ofensivas que, segundo analistas, visam preservar influência e evitar que um eventual acordo reduza seu poder estratégico. A guerra já dura quase 100 dias e não há sinais de trégua.
Com os novos ataques, cresce o temor de que a região mergulhe em instabilidade ainda maior, ampliando riscos para civis e comprometendo esforços diplomáticos de paz.
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