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Kapaz: “Hoje eu não falo mais em crime organizado, eu falo em economia do crime”

“Tem que valer a pena ser sério no Brasil”, disse o CEO do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz, que...

Kapaz: “Hoje eu não falo mais em crime organizado, eu falo em economia do crime”

Kapaz: “Hoje eu não falo mais em crime organizado, eu falo em economia do crime”.

da Redação

26 maio 2026

“Tem que valer a pena ser sério no Brasil”, disse o CEO do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz, que participou nesta terça-feira (26) dos debates do Seminário LIDE Energia, realizado na Casa LIDE, em São Paulo.

O executivo afirmou que o avanço do crime organizado no setor de combustíveis passou a impactar diretamente a competitividade do mercado e o ambiente de negócios no país.


“Hoje eu não falo mais em crime organizado, eu falo em economia do crime”, disse Kapaz.

Segundo ele, empresas estruturadas para sonegação fiscal e adulteração de combustíveis criam concorrência desleal contra companhias que atuam regularmente.

“Todos têm que pagar a mesma coisa e ganha aquele que é mais competitivo, não aquele que sonega, que adultera, que faz a malandragem”, afirmou.

Kapaz defendeu o fortalecimento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e destacou a aprovação da lei do devedor contumaz como avanço no combate a empresas criadas para inadimplência tributária recorrente. Para ele, enfrentar a concorrência desleal é condição necessária para ampliar investimentos e dar previsibilidade ao setor.

Segurança energética, transição e investimentos

A vice-presidente de Exploração e Produção Internacional da Equinor Brasil, Leticia Andrade, afirmou que previsibilidade regulatória e estabilidade institucional seguem entre os principais fatores para atração de investimentos em projetos de óleo e gás. “Quando levamos um projeto para o nosso comitê executivo, a pergunta é sempre a mesma: ‘Por que o Brasil?’”, disse.

Segundo ela, projetos do setor envolvem investimentos bilionários e planejamento de décadas, o que exige estabilidade regulatória e segurança contratual. “O investidor consegue lidar com complexidade. O que a gente não consegue administrar é ruptura”, declarou. Leticia também destacou a integração entre petróleo, gás natural e fontes renováveis como diferencial competitivo do Brasil.

Gás natural como combustível da transição

O presidente da Shell Energy Brasil, Rodrigo Soares, afirmou que o avanço das fontes renováveis vem mudando o papel das termelétricas no sistema elétrico brasileiro. Segundo ele, o gás natural tende a ganhar relevância como fonte de segurança energética diante da expansão da geração solar e eólica e da maior intermitência do sistema.

“As termelétricas hoje funcionam como um ‘backstop’, uma garantia para os momentos em que as condições climáticas mudam”, disse. Para o executivo, o gás natural se consolida como “o combustível perfeito para essa transição”, ao garantir confiabilidade e estabilidade ao sistema elétrico.

Energia e agenda climática

Izabella Teixeira, co-presidente do International Resource Panel da ONU e co-chairwoman do LIDE. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)

A co-presidente do International Resource Panel da ONU e ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu uma estratégia integrada entre segurança energética e agenda climática. Segundo ela, o Brasil precisa fortalecer sua posição internacional a partir de seus recursos naturais e capacidade energética.

“Uma indústria poderosa, como a de petróleo, pode e deve ser aliada no processo de descarbonização da economia brasileira”, afirmou. Izabella também criticou a politização do licenciamento ambiental. “O licenciamento ambiental é um instrumento administrativo, que foi politizado no Brasil”, disse.

Petróleo segue estratégico

Roberto Ardenghy, CEO do IBP – Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)

O CEO do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Roberto Ardenghy, afirmou que a reorganização geopolítica global tende a ampliar a relevância do Brasil no mercado internacional de energia. Segundo ele, o petróleo continuará estratégico nas próximas décadas, apesar do avanço das fontes renováveis e da transição energética.

“O petróleo vai continuar muito importante, vai continuar relevante na economia mundial”, declarou. Ardenghy defendeu o avanço de projetos na Margem Equatorial e a ampliação da produção nacional de gás natural e biocombustíveis como parte da estratégia energética brasileira.

Amazônia e crime organizado

Jean Paul Prates, chairman do CERNE e head do LIDE Energia. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)

O ex-senador Jean Paul Prates, chairman do CERNE e head do LIDE Energia, afirmou que a Amazônia enfrenta avanço do crime organizado e defendeu o uso dos recursos do petróleo para ampliar a presença do Estado na região. Segundo ele, impedir a produção brasileira não altera o cenário global de emissões nem reduz a demanda internacional por petróleo.

“A Amazônia é tomada pelo crime organizado”, disse. “Se nós não produzimos petróleo lá, não vai mudar em nada as emissões globais.” Prates defendeu uma revisão regulatória para exploração energética na Amazônia, considerando as especificidades econômicas e ambientais da região.

Para assistir a íntegra das palestras, basta clicar aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Z5-Svsh8zK4

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