da Redação
02 junho 2026
O estudo “Neobanks: a nova fonte de crédito 2026”, divulgado na tarde desta terça-feira, 2, mostra que entre 2021 e 2025, o saldo de crédito ativo por bancos digitais – nas modalidades cartão de crédito e empréstimo pessoal, que são de maior risco, por não terem garantias – avançou mais de 360%. Nos bancos tradicionais, o crescimento foi de 35,7%.
Em 2021, os neobancos respondiam por apenas 11,8% do total de crédito ativo no Brasil. Em 2025, passaram a representar 31,8%. Os clientes de cartões nesses bancos subiram de 25 milhões para 61 milhões no mesmo período.
O estudo mostra que os neobancos tiveram papel importante na inclusão financeira de brasileiros sem acesso ao crédito. Em 2025, 41,4% dos cartões emitidos por bancos digitais representaram o primeiro cartão de crédito das pessoas, enquanto entre os bancos tradicionais esse porcentual foi de 4,9%.
Esse avanço no crédito e na atração de clientes não veio sem custos. A inadimplência nos bancos digitais subiu mais que nos bancos tradicionais. Em cartões, o índice de inadimplência quase triplicou, chegando a 20,31% em 2025 nos neobancos. Em bancos tradicionais, caiu, baixando de 14,57% em 2021 para 13,6% em 2025.
No fim de 2025, o saldo em atraso nos cartões emitidos por bancos digitais representava 11,16% do saldo total ativo, acima dos 5,77% registrados em 2021. Em 2025, o saldo em atraso de cartões emitidos por bancos tradicionais foi de 8,75% do saldo total deste grupo.
O cenário de maior inadimplência se repete no empréstimo pessoal. Entre 2021 e 2025, os neobancos ampliaram em 113% o volume de inadimplentes nessa modalidade, segundo o estudo. O índice de clientes inadimplentes passou de 6,55% para 13,93%. Entre 2024 e 2025, o aumento da taxa de inadimplentes em empréstimo pessoal entre clientes desses bancos foi de 42%.
Outro dado que mostra o avanço dos calotes é que ao final de 2025, o saldo em atraso de empréstimo pessoal ativo por neobancos representava 10,3% do total ativo, ante 2,56% registrados em 2021. Nos bancos tradicionais, o saldo em atraso representava 2,66% do total ativo e passou a representar 3,5%.
“Os resultados mostram que os neobancos apresentam maior crescimento da inadimplência, tanto no cartão de crédito quanto nos empréstimos pessoais, na comparação com os bancos tradicionais”, afirma o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Ulisses Monteiro Ruiz de Gamboa, em nota que acompanha o estudo.
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