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PF põe ex-governador Cláudio Castro no centro do escândalo da Rioprevidência

A ação investiga aportes bilionários do Rioprevidência — fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de 235 mil servidores...

PF põe ex-governador Cláudio Castro no centro do escândalo da Rioprevidência

PF põe ex-governador Cláudio Castro no centro do escândalo da Rioprevidência.

da Redação

26 maio 2026

A ação investiga aportes bilionários do Rioprevidência — fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de 235 mil servidores estaduais — no Banco Master, conglomerado do banqueiro Daniel Vorcaro, que foi liquidado no ano passado após um golpe de cerca de R$ 50 bilhões.

Segundo os agentes federais, cerca de R$ 3 bilhões foram transferidos em diferentes ocasiões entre outubro de 2023 e julho de 2024, em operações consideradas de alto risco e sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpridos no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

Um deles ocorreu na cobertura de Castro, em condomínio de luxo na Barra da Tijuca. O advogado Carlo Luchione, que faz a defesa do ex-governador, declarou que ele acompanhou as buscas “com serenidade”.

Essa é a segunda vez em menos de 15 dias que Castro é alvo da PF. Em 15 de maio, agentes já haviam cumprido mandados judiciais em sua residência na Operação Sem Refino, que apura supostas fraudes fiscais na Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, de propriedade do empresário Ricardo Magro, que está com prisão decretada no Brasil e se encontra foragido nos Estados Unidos.

A investigação atual é um desdobramento da Operação Barco de Papel, deflagrada em janeiro, que identificou aportes suspeitos de R$ 970 milhões do Rioprevidência no Banco Master.

Na ocasião, o então presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, foi preso em ação conjunta da PF e da PRF, após já ter sido exonerado.

Agora, os investigadores apontam novos aportes de R$ 2,01 bilhões em fundos administrados pela instituição, elevando o total para cerca de R$ 3 bilhões.

O caso ganhou repercussão política. No início de maio, o deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) conseguiu assinaturas para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), destinada a investigar os investimentos do Rioprevidência no Banco Master.

Segundo dados apresentados, o fundo aplicou quase R$ 1 bilhão diretamente na instituição e outros R$ 1,6 bilhão em fundos administrados pelo conglomerado, mesmo após alertas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), que havia proibido novos aportes.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após enfrentar problemas de liquidez e suspeitas de irregularidades.

A PF agora busca descobrir quem autorizou os investimentos, quais critérios técnicos foram utilizados e se houve favorecimento indevido ou gestão temerária.

O episódio é considerado uma das maiores crises financeiras da gestão Cláudio Castro, por atingir diretamente o patrimônio do Rioprevidência e colocar em risco os pagamentos previdenciários do funcionalismo estadual. A investigação amplia a pressão sobre o ex-governador, que já vinha sendo alvo de outras operações da Polícia Federal.

“É preciso entender quem tomou essas decisões e por que os alertas do Tribunal de Contas foram ignorados”, disse o deputado Serafini, ao defender a instalação da CPI. Já a defesa de Castro insiste que o ex-governador “tem colaborado com serenidade e transparência” e aguarda acesso às decisões judiciais para se manifestar.

O avanço das apurações reforça a gravidade do caso, que expõe a vulnerabilidade do sistema previdenciário estadual e coloca em xeque a gestão de recursos públicos em operações financeiras de alto risco. A PF trabalha para identificar se houve gestão temerária, favorecimento indevido ou irregularidades na destinação dos aportes, enquanto o cenário político fluminense se prepara para enfrentar uma CPI que promete trazer novos desdobramentos.

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