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STF decide se aposentadoria compulsória deixa de ser punição máxima para juízes

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta terça-feira (26) recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra decisão...

STF decide se aposentadoria compulsória deixa de ser punição máxima para juízes

STF decide se aposentadoria compulsória deixa de ser punição máxima para juízes.

da Redação

26 maio 2026

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta terça-feira (26) recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra decisão do ministro Flávio Dino que extinguiu a aposentadoria compulsória remunerada como punição máxima a magistrados.

A medida, se confirmada, altera profundamente o regime disciplinar da magistratura brasileira.

Em março, Dino determinou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aplique a perda definitiva do cargo — e, consequentemente, do salário — como sanção mais severa em casos de infrações graves. A decisão afastou a aposentadoria compulsória, até então considerada a “pena máxima” administrativa.

O fim de uma prática controversa

Nos últimos 20 anos, 126 juízes foram aposentados compulsoriamente após acusações de condutas graves, como venda de sentenças, assédio moral e sexual, favorecimento a facções criminosas e irregularidades processuais. Apesar do afastamento, continuaram recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço, o que gerava críticas por transformar a punição em benefício.

Segundo Dino, a reforma da Previdência de 2019 eliminou o fundamento constitucional da aposentadoria compulsória como sanção.

“Aos magistrados são aplicáveis as regras de aposentadoria do artigo 40 da Constituição Federal, que não prevê a transferência compulsória para a inatividade com recebimento de aposentadoria como sanção disciplinar”, afirmou o ministro em sua decisão.

O recurso da PGR

A Procuradoria-Geral da República questiona a decisão e pede que o tema seja analisado pelo plenário do STF, não apenas pela Primeira Turma. Para a PGR, embora a medida tenha “intenções louváveis”, pode fragilizar o Judiciário e o Ministério Público, expondo-os a pressões políticas.

Em manifestação, a Procuradoria argumentou que a decisão de Dino retirou do Congresso o papel de definir sanções aplicáveis à magistratura: “Tal construção hermenêutica desloca para a interpretação judicial a escolha política sobre quais condutas permitirão, ou não, a perda do cargo — precisamente o que a reserva de lei visa impedir.”

O caso que originou a decisão

A decisão de Dino surgiu a partir de ação de um juiz afastado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), punido com aposentadoria compulsória pelo CNJ. O magistrado, que atuava em Mangaratiba (RJ), foi acusado de favorecer grupos políticos locais, liberar bens bloqueados sem manifestação do Ministério Público e direcionar processos para beneficiar policiais militares ligados a milícias.

O que está em jogo

Se a decisão de Dino for mantida, o CNJ terá de aplicar a perda de cargo como punição máxima em casos disciplinares. O Conselho já discute uma resolução sobre o tema, mas aguarda o julgamento no STF para definir sua posição.

O resultado do julgamento pode marcar uma mudança histórica na forma como o Brasil lida com desvios de conduta na magistratura, encerrando a prática da aposentadoria compulsória remunerada e estabelecendo a perda definitiva do cargo como punição exemplar.

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