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Pobreza atinge menor nível histórico, mas desigualdade volta a subir no país

O bolso do brasileiro viveu um cenário de duas faces em 2025. Por um lado, o País registrou o quarto...

Pobreza atinge menor nível histórico, mas desigualdade volta a subir no país

Pobreza atinge menor nível histórico, mas desigualdade volta a subir no país.

da Redação

26 maio 2026

O bolso do brasileiro viveu um cenário de duas faces em 2025. Por um lado, o País registrou o quarto ano consecutivo de queda na pobreza, empurrado por um mercado de trabalho aquecido e por salários em alta. Por outro, a distância entre a base e o topo da pirâmide social voltou a aumentar, interrompendo uma sequência de três anos de melhora na distribuição de renda.

Os dados constam de um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), feito pelo pesquisador Daniel Duque a partir dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE.

De acordo com o estudo, que adota os critérios do Banco Mundial, a fatia da população na extrema pobreza (com renda diária inferior a US$ 2,15) recuou de 4,4% para 3,4%. O recuo também foi observado nas faixas de pobreza moderada. O resultado consolidado de 2025 coloca o indicador no nível mais baixo de toda a série histórica, iniciada em 2012.

O paradoxo dos números

A melhora nos indicadores de vulnerabilidade social, contudo, veio acompanhada de um revés na distribuição de renda. O Coeficiente de Gini — indicador que mede a desigualdade de zero a um, onde quanto mais perto de um, maior é a disparidade — subiu de 0,505 para 0,511.

O movimento interrompe a trajetória de queda que vinha sendo registrada desde 2022. De forma simplificada, a engrenagem econômica funcionou assim:

  • Renda em alta: O rendimento médio per capita real subiu 6,9% em 2025, o maior avanço dos últimos quatro anos.
  • Ganho desigual: Como a economia cresceu de forma geral, a renda de todas as faixas aumentou. O que explica a alta da desigualdade é que o topo da pirâmide (os mais ricos) teve uma valorização patrimonial e salarial proporcionalmente maior do que a base.

“Não é tão incomum que a pobreza diminua e a desigualdade aumente ao mesmo tempo”, explica o pesquisador Daniel Duque. “Num cenário em que todo mundo tem a renda aumentada, alguns ganham mais do que outros. É possível que os mais ricos aumentem suas rendas acima dos demais.”

Emprego substitui o auxílio

Ao contrário dos anos de 2023 e 2024, quando os programas de transferência de renda governamentais (como o Benefício de Prestação Continuada, o BPC) foram os grandes motores de resgate social, o ano de 2025 teve o mercado de trabalho como protagonista.

O fenômeno se deve, em parte, a restrições e “travas” orçamentárias impostas pelo governo federal nos benefícios sociais ao longo do ano passado. Com o freio nos auxílios, a redução da pobreza acabou sustentada pela geração de empregos e pela rotatividade do mercado, com trabalhadores migrando para postos mais rentáveis ou negociando reajustes salariais acima da inflação.

O relatório do FGV Ibre adverte, porém, que o fôlego das transferências de renda como ferramenta de redução da pobreza parece ter atingido o teto, uma vez que a expansão promovida entre 2022 e 2024 já foi totalmente absorvida pela economia. Para os próximos anos, analistas apontam que a manutenção da queda da pobreza dependerá exclusivamente da criação de empregos duradouros e do controle da desigualdade.

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