da Redação
03 junho 2026
Fazemos isso o tempo todo. Somos seres desconfiados, inseguros e medrosos, certamente por conta do nosso instinto animal e da nossa falta de fé. O instinto faz com que estejamos atentos aos “perigos da selva”, essa nossa herança genética, físico-química, que nos deixa ligados em qualquer movimento fora do padrão, ou seja, tudo que foge àquilo que consideramos normal ou conhecido, nos provoca um julgamento de que não deve ser bom.
Quanto à fé, buscamos crer em uma proteção espiritual que nos guia e orienta, mas continuamos mantendo nossas portas bem trancadas, as reais, das nossas casas, e as imaginárias, aquelas que existem em nossas mentes.

Sendo assim, julgamos quem pede nos semáforos, da mesma forma que julgamos quem tem muito dinheiro; julgamos as atitudes dos homens e das mulheres, dos jovens e dos idosos, normalmente através de ideias preconcebidas e preconceituosas.
Mas, será que temos culpa em sermos assim ou nossos instintos regem nossos pensamentos e atitudes na maior parte do tempo? O pai da psicanálise, Sigmund Freud, diz que “A inteligência é o único meio que possuímos para dominar os nossos instintos”.
Então, como desenvolvemos nossa inteligência para equilibrar nossos pensamentos? A resposta está em sermos mais abertos ao conhecimento, em aceitarmos outras formas de pensar, diferentes da nossa, em olharmos o mundo na sua enorme variedade de coisas, pessoas e culturas que existem e acreditarmos, de verdade, que não somos melhores nem piores que ninguém.

Para que esse conhecimento possa penetrar nossas mentes e corações precisamos realizar boas leituras, não apenas aquelas da moda, mas leituras relevantes, produzidas por seres humanos dignos, sábios, inovadores e generosos. Importante também aprendermos a enxergar as ideologias escondidas por trás de teorias, poemas, músicas, histórias, discursos, notícias, romances, filmes que, disfarçados de arte, cultura ou entretenimento, ao invés de iluminar nossos caminhos, nos levam sutilmente ao erro e à escuridão.
Então, todas as vezes em que percebemos que estamos prejulgando alguém, procuremos nos informar melhor, aumentemos nosso repertório de informações para que reflitamos antes de agir ou de proferir palavras das quais possamos nos arrepender mais tarde. E, ao mesmo tempo em que nos abrimos ao novo, lembremos, em nome da prudência, que devemos amar os nossos vizinhos, mas jamais derrubar as nossas cercas.
*André Luiz Petraglia é escritor, palestrante e consultor de comunicação e design.
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