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Xi vai à Coreia do Norte para reforçar parcerias com regime comunista

Líder chinês busca recuperar influência sobre Pyongyang em meio à aproximação com Moscou e impasse nuclear com Washington

da Redação

08 junho 2026

Xi vai à Coreia do Norte para reforçar parcerias com regime comunista

O presidente da China, Xi Jinping, foi recebido nesta segunda-feira (8) com grande pompa em Pyongyang, na primeira visita oficial à Coreia do Norte desde 2019. Ao lado do líder norte-coreano Kim Jong Un, Xi declarou que espera levar as relações bilaterais “a novos patamares” e insistiu que a amizade entre os dois vizinhos “permanece invencível, independentemente da evolução dos tempos ou de como a situação internacional se transforme”.

A visita ocorre em um momento delicado para Pequim. A Coreia do Norte, historicamente dependente da China, vem estreitando laços com Moscou desde a invasão da Ucrânia. Segundo investigação da BBC, cerca de 2.300 soldados norte-coreanos chegaram a lutar ao lado das forças russas, e Pyongyang é acusado de fornecer munições em troca de petróleo e ajuda econômica. Esse movimento preocupa Pequim, que teme perder influência sobre o regime de Kim Jong Un.

“A China quer garantir que seus interesses em relação à Coreia do Norte sejam preservados em um momento de rápida aproximação entre Rússia e Coreia do Norte”, afirmou Ankit Panda, especialista em política nuclear do Carnegie Endowment for International Peace.

Estratégia e pragmatismo

Xi Jinping foi recebido por Kim e sua esposa, Ri Sol-ju, em cerimônia marcada por retratos gigantes dos dois líderes, banda militar e guarda de honra. “Estou disposto a trabalhar com o camarada secretário-geral para manter uma comunicação estratégica estreita e continuar a orientar as relações rumo a novos patamares”, disse Xi, segundo a agência estatal Xinhua.

O gesto tem forte componente estratégico. Para Pequim, a Coreia do Norte é ao mesmo tempo proteção e preocupação: ajuda a manter forças americanas mais distantes da fronteira chinesa, mas seus testes nucleares e balísticos alimentam a instabilidade regional.

Kim, por sua vez, não pode se dar ao luxo de se afastar de sua principal fonte de ajuda econômica. As exportações chinesas para o país saltaram para US$ 2,3 bilhões em 2025, o maior nível em seis anos, e o serviço ferroviário entre Pequim e Pyongyang foi retomado após longa interrupção.

O impasse nuclear

Na véspera da visita, Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano, reiterou que não há possibilidade de abandonar o arsenal atômico. “A Coreia do Norte ainda produz material nuclear neste exato momento”, alertou o presidente sul-coreano Lee Jae Myung, defendendo que Seul mantenha a pressão pela desnuclearização.

Desde o fracasso da cúpula Kim-Trump em 2019, Pyongyang insiste que seu status como potência nuclear é “irreversível”. Analistas avaliam que Pequim já teria aceitado esse fato, priorizando a estabilidade regional.

“A estratégia mais ampla da China se beneficia de um Estado estável, fortemente armado e alinhado, o que absorve parte dos recursos militares dos Estados Unidos e de seus aliados”, disse Seong-Hyon Lee, pesquisador do Harvard University Asia Center.

Entre Moscou e Pequim

O desafio para Xi Jinping é evitar que Kim Jong Un se torne excessivamente dependente de Moscou. Em setembro passado, o líder norte-coreano apareceu ao lado de Xi e do presidente russo Vladimir Putin em um desfile militar em Pequim, sinalizando uma triangulação inédita.

“Pyongyang é uma carta de negociação para Xi, enquanto Washington e Seul pedem sua ajuda para relançar as negociações”, avalia Cheong Seong Chang, do Sejong Institute.

Para Kim, a aproximação com a China é pragmática: ao contrário de Putin, cada vez mais isolado, Xi recebe líderes mundiais em Pequim e busca se posicionar como mediador global.

Relação marcada por tensões

Apesar da retórica de “amizade invencível”, a relação entre os dois países já foi marcada por desconfiança. Nos primeiros anos de Kim no poder, o avanço acelerado do programa nuclear e a execução de figuras próximas à China geraram atritos. Em 2014, Xi chegou a visitar a Coreia do Sul antes de se encontrar com Kim, gesto visto como afronta.

Hoje, ambos sabem que não podem confiar plenamente um no outro, mas consideram a parceria necessária. Para Pequim, Pyongyang é um escudo estratégico; para Kim, a China é fonte vital de sobrevivência econômica.

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