Drone iraniano comprado pelo governo cubano para se defender dos Estados Unidos. (Foto: Reprodução)


O mais recente dos avisos do presidente Miguel Díaz-Canel ao governo de Donald Trump é também o mais contundente, em um momento de tensão no qual os Estados Unidos levantaram a possibilidade de intervir na ilha. “Se concretizado, provocará um banho de sangue de consequências incalculáveis”, alertou o cubano na rede social X. Horas depois, Washington anunciou a imposição de novas sanções contra altos funcionários do regime de Havana.

As palavras de Díaz-Canel servem também para justificar por que Cuba adquiriu mais de 300 drones da China e do Irã, aludindo à sua “legítima defesa” para, se for o caso, utilizá-los em um cenário adverso diante de uma ofensiva militar. O tom da pequena guerra fria no Mar do Caribe voltou a disparar.

Nos últimos dias, a retórica belicista que chegava do Palácio da Revolução e o discurso ameaçador que emergia da Casa Branca tinham tomado um rumo mais amistoso. Trump disse que estava disposto a “falar” com o castrismo, e seu secretário de Estado, o cubano-americano Marco Rubio, sugeriu inclusive que avaliavam a possibilidade de dar uma “oportunidade” aos líderes da ilha. Havana chegou a receber o diretor da Agência Central de Inteligência americana (CIA), órgão que no passado planejou atentados contra Fidel Castro. Os chefes de inteligência de ambos os países sentaram-se cara a cara para dialogar.

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Mas ontem, com a revelação dos drones adquiridos pelo governo de Díaz-Canel, Cuba voltou a colocar-se na defensiva, reivindicando o direito de estar preparada para o pior cenário. “As ameaças de agressão militar contra Cuba pela maior potência do planeta são conhecidas”, justificou o presidente no X, insistindo que a ameaça, por si só, “constitui um crime internacional”.

Dois dias após a visita a Havana de John Ratcliffe, diretor da CIA, o site americano Axios informou sobre a compra dos 300 drones e de supostos planos para utilizá-los contra a base na Baía de Guantánamo.

Pouco depois da mensagem de Díaz-Canel, o Departamento do Tesouro americano impôs novas sanções contra representantes dos setores policial, político e de inteligência do governo cubano. Entre os sancionados estão a ministra das Comunicações, Mayra Arevich Marín, e o ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy. Também foram incluídos o presidente da Assembleia Nacional, Juan Esteban Lazo Hernández; o diretor da Polícia, Óscar Alejandro Callejas Valcarce; e Roberto Morales Ojeda, membro do Bureau Político do Comitê Central do Partido Comunista.

A todos eles foi aplicada uma ordem executiva assinada por Trump este mês, de número 14.404, que mira os “responsáveis pela repressão em Cuba, de ameaças contra a segurança nacional e a política externa dos Estados Unidos”.