O mercado espera que o Copom entregue um segundo corte de 0,25 ponto porcentual da Selic nesta reunião, reduzindo a taxa de 14,75% para 14,50% ao ano. Essa é a expectativa de 33 das 37 instituições financeiras consultadas pelo Projeções Broadcast.
Diante do cenário internacional ainda incerto, devido ao conflito no Oriente Médio, economistas consultados pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, avaliam que a tendência é que o colegiado renove o tom cauteloso na comunicação. Eles entendem que o Copom irá preservar a mensagem de que seguirá calibrando os juros nas próximas reuniões, mas sem se comprometer com o ritmo que irá adotar.
Na última decisão, do dia 18 de março, o Copom reduziu a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano. Foi a primeira diminuição dos juros em quase dois anos. Apesar do corte, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse na entrevista coletiva no dia 26 de março, que o “conservadorismo” da autoridade monetária durante 2025 compraria tempo para analisar o cenário e entender os efeitos da alta do petróleo, em razão do conflito, sobre os preços domésticos. “Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom”, afirmou.
Em meio à pressão inflacionária, desde o encontro de março, o mercado vem calibrando as expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e para a trajetória de juros.
A mediana do relatório Focus para o IPCA no fim de 2026 subiu de 4,10% para 4,86% – acima do teto da meta, de 4,50%. As estimativas para 2027 e 2028 também aumentaram, de 3,80% para 4% e de 3,50% para 3,61%. A trajetória é superior à projetada hoje pelo Copom. Na última reunião, o colegiado atualizou suas projeções para 3,9% no fim de 2026 e 3,3% no terceiro trimestre de 2027, que era o horizonte relevante da política monetária. No mesmo intervalo, as medianas do Focus para a taxa Selic também subiram: passaram de 12,25% para 13,00% no fim de 2026 e de 10,50% para 11,0% no fim de 2027.
O câmbio, em contrapartida, mostrou alívio. Na reunião de março, a cotação do dólar usada no cenário de referência do comitê foi de R$ 5,20. Agora, ela deve cair para R$ 5,00.


