O Departamento de Defesa dos EUA concluiu acordos com sete empresas de tecnologia – incluindo algumas das maiores do setor – para usar suas capacidades de inteligência artificial em ambientes classificados (sigilosos), reforçando os esforços do Pentágono para ter acesso a ferramentas de IA de ponta.

O departamento informou nesta sexta-feira que agora está apto a usar, em ambientes classificados, a tecnologia e os modelos da OpenAI (criadora do ChatGPT); do Google, da Alphabet; da SpaceX, de Elon Musk; da Microsoft; da Amazon; da Nvidia; e da startup Reflection AI. A SpaceX é dona da empresa de IA de Musk, a xAI.

Embora algumas dessas empresas, incluindo OpenAI e SpaceX, já tivessem acordos iniciais com o Pentágono prevendo o uso de suas ferramentas de IA pelos militares em todos os cenários legais, a formalização dos contratos é um passo importante para integrá-las às operações do dia a dia. Os acordos mostram o quanto o Vale do Silício está aceitando os termos do Departamento de Defesa – algo que a Anthropic não fez ao rejeitar um contrato do Pentágono mais cedo neste ano, no que se transformou em uma disputa de meses. Os acordos também evidenciam a corrida do Pentágono para incorporar IA aos seus sistemas.

Por muitos meses, os modelos Claude, da Anthropic, foram algumas das poucas ferramentas disponíveis em ambientes classificados por meio da empresa de mineração de dados Palantir Technologies, que oferece ferramentas de IA aos militares por sua plataforma Maven. Em resposta a uma disputa contratual, o Pentágono declarou a Anthropic um risco para a cadeia de suprimentos, inadequado para trabalho militar, aumentando a urgência de oferecer outros modelos a militares em ambientes classificados. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, ao depor no Congresso na quinta-feira, chamou o CEO da Anthropic, Dario Amodei, de “lunático ideológico”.

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Emil Michael, subsecretário de Defesa para pesquisa e engenharia e ex-executivo do setor de tecnologia, disse em comunicado: “Estamos equipando o combatente com um conjunto de ferramentas de IA para manter uma vantagem desleal e alcançar superioridade absoluta de decisão.”

Microsoft e Amazon, duas das maiores fornecedoras de infraestrutura de computação em nuvem e parceiras centrais de desenvolvedores de modelos, já mantêm relações profundas com o Pentágono, além de terem suas próprias ferramentas de IA.

Os acordos do Pentágono com Nvidia e Reflection são novos e destacam o desejo de oferecer modelos de código aberto, cujos detalhes ficam disponíveis publicamente para desenvolvedores. A maioria dos principais modelos de IA é fechada, o que limita as possibilidades de personalização pelos usuários.

A Nvidia, maior empresa de chips do mundo, desenvolve seus próprios modelos abertos. Seu acordo com o Pentágono abrange os modelos open-source Nemotron, que dão suporte a agentes de IA capazes de executar tarefas por conta própria.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, que cultivou laços com o presidente Donald Trump, disse acreditar que modelos abertos são melhores do que modelos fechados em muitos contextos de segurança nacional, porque suas características são totalmente conhecidas e eles podem ser facilmente adaptados a casos de uso especializados. “A segurança e a proteção, francamente, são reforçadas com o código aberto”, disse ele recentemente, em conversa com o diretor do think tank Special Competitive Studies Project, publicada online.

Autoridades do governo disseram que as principais empresas de IA da China se especializam em modelos abertos que pretendem vender a outros países, o que aumenta a importância de desenvolver alternativas americanas.

A Nvidia é investidora da Reflection, que se especializa em modelos de código aberto e estreitou laços com o governo Trump. Liderada por ex-pesquisadores do laboratório DeepMind, do Google, a empresa participa de um acordo apoiado pelo governo para desenvolver modelos adaptados a pessoas na Coreia do Sul e está em conversas para captar recursos com investidores a uma avaliação de US$ 25 bilhões. A empresa ainda não lançou nenhum modelo de IA.

“Esse entendimento compartilhado com o Pentágono é um primeiro passo para apoiar a segurança nacional dos EUA e estabelece um precedente de como laboratórios de IA poderiam atuar em toda a estrutura do governo americano – do apoio aos nossos militares ao trabalho com nossos cientistas”, disse uma porta-voz da Reflection.

A Anthropic contesta, em dois processos judiciais separados, a proibição do governo ao uso de seu software em trabalhos de defesa. Os modelos da empresa foram usados durante a guerra com o Irã e na operação para capturar o então presidente venezuelano Nicolás Maduro no início deste ano.

Muitas das empresas com acordos recém-concluídos disseram que seus contratos com o Departamento de Defesa incluem compromissos de que suas ferramentas não seriam usadas para vigilância em massa nem para armas autônomas. O Pentágono disse que não realizaria essas atividades ilegais e que as empresas deveriam confiar que os militares usarão IA de forma responsável.

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