A aprovação da PEC da Blindagem na Câmara dos Deputados gerou uma onda de críticas nas redes sociais. Um levantamento da Quaest revela que a reação foi amplamente negativa: 83% das postagens entre os dias 16 e 19 de setembro tiveram viés desfavorável. Das 2,3 milhões de menções coletadas sobre o tema, a maioria mirou no presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), e nos parlamentares que votaram a favor da medida.
As críticas nas redes sociais, que totalizaram 1,9 milhão de posts negativos, foram tão intensas que levaram alguns deputados a pedir desculpas públicas a seus eleitores, incluindo Silvye Alves (União-GO), Merlong Solano (PT-PI) e Pedro Campos (PSB-PE). As justificativas dos parlamentares para o voto favorável variaram, com alguns alegando “sacrifícios” para tentar evitar a votação da anistia ou ameaças de retaliações internas.
A campanha digital foi impulsionada por influenciadores e opositores de esquerda. A hashtag “Congresso inimigo do povo” se destacou, e vídeos gerados por inteligência artificial foram uma parte importante da mobilização, indicando uma nova tendência para as eleições de 2026. Além de Motta, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) também foi criticado nas redes.
Segundo a pesquisa da Quaest, 46% das menções negativas foram direcionadas ao Congresso, 40% a manifestações contra a PEC, e 15% acusaram um acordo entre a direita bolsonarista e o Centrão para a aprovação da urgência do PL da Anistia.
O levantamento, que monitorou plataformas como Instagram, Facebook, X, Reddit e YouTube, além de grupos de WhatsApp, Telegram e Discord, registrou uma média de 24 mil posts por hora, com alcance estimado de 44 milhões de contas. A mobilização, embora menor do que a observada no julgamento de Jair Bolsonaro, teve um alcance um pouco superior ao do embate entre o governo Lula e o Congresso em julho.
As menções positivas, que representaram apenas 17% do total, ficaram restritas a publicações de parlamentares e militantes bolsonaristas. Eles justificaram a aprovação da PEC como uma necessidade para combater uma suposta “perseguição política” de ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes.





