O comércio varejista teme o fim da taxa das blusinhas. (Foto: Divulgação)


O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) afirma que a revogação do Imposto de Importação de 20% sobre vendas cross border feitas por plataformas estrangeiras — conhecido como taxa das blusinhas — pode provocar desinvestimento e desemprego no país.

Segundo o IDV, o imposto não se restringia ao setor têxtil, mas abrangia centenas de produtos. Mesmo assim, não conseguia equilibrar a competitividade com os itens fabricados e vendidos no Brasil, que enfrentam carga tributária média de 92%. A entidade avalia que a disparidade agora se tornou “gigantesca”.

“O Brasil vai proteger quem produz lá fora e desproteger quem produz e emprega aqui”, diz o instituto.

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O varejo defende isonomia tributária. Se há isenção de imposto para produtos importados de até US$ 50, o mesmo deveria valer para os nacionais na mesma faixa de preço.

Com o fim da taxa, o IDV prevê queda nas vendas internas, sobretudo para pequenos e médios varejistas, que não conseguiriam competir com itens importados, muitos deles subfaturados e sem tributação. O impacto, segundo a entidade, atingiria também a indústria, com risco de fechamento de fábricas ou transferência de produção para países vizinhos.

Na avaliação do instituto, a introdução da taxa trouxe benefícios. No primeiro ano de vigência, foram criados 107 mil empregos no varejo. Houve aumento de vendas e investimentos, além de ganhos de produtividade em toda a cadeia. O IDV afirma que não houve alta de preços acima da inflação e que o consumidor passou a optar pelo produto nacional, certificado e garantido.

Para o setor, a decisão do governo de zerar novamente o imposto compromete a viabilidade das empresas e ameaça milhares de empregos, tanto no presente quanto no futuro próximo.