Campanha Nacional de Multivacinação mobiliza famílias no Dia D. Postos de saúde abertos neste sábado (18) para atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes de até 15 anos - Reprodução


O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (1º) uma campanha de multivacinação voltada para crianças e adolescentes de até 15 anos.

A estratégia, segundo a pasta, é atualizar a caderneta de jovens que, por algum motivo, ainda não foram imunizados ou que estão com doses atrasadas.

A campanha será realizada de 6 a 31 de outubro em todo o país, com o Dia D agendado para 18 de outubro, um sábado.

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“Todas as vacinas do calendário estarão disponíveis. A ideia é oferecer e intensificar a vacinação para todas as vacinas”, explicou o diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti.

Segundo ele, o ministério fez um repasse financeiro extraordinário no início do ano aos estados e municípios no valor de R$ 150 milhões com o objetivo de financiar ações de multivacinação e estimular a imunização em nível municipal.

Para a campanha, foram distribuídas 6,8 milhões de doses fora a grade regular já enviada aos estados e municípios. Do total de doses, 1,8 milhão são da vacina tríplice viral; 1,6 milhão, da vacina contra a febre amarela; 1,1 milhão, da vacina contra a varicela ou catapora; e 2,3 milhões das demais vacinas que compõem o calendário.

Vacinação de países vizinhos também impacta o Brasil, diz Opas

O representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no Brasil, Cristian Morales, alertou nesta quarta-feira (1) que a vacinação é uma das áreas da saúde pública que revela a solidariedade entre países como algo fundamental. Morales elogiou o lançamento da campanha de multivacinação pelo Ministério da Saúde e ressaltou seu impacto regional.

“O que acontece no Brasil, um país maior, com intercâmbio e trocas comerciais muito fortes, com turismo, tem uma influência nos outros países das Américas e do mundo”, disse, durante coletiva de imprensa na sede do Ministério da Saúde, em Brasília.

“Mas o Brasil também está exposto ao que acontece em países vizinhos. Por isso, temos que colocar, no centro de nossas ações, também o multilateralismo. Esse enfoque permite aos países lutarem juntos contra perigos como as doenças imunopreveníveis e forcarem na proteção além das fronteiras”, completou Morales.

Para o representante da Opas, a campanha de multivacinação brasileira traz benefícios não apenas para a população local, mas também para outros países da região. “Estamos numa época em que, infelizmente, tem se instalado uma visão, em algumas pessoas e em parcelas da sociedade, em que a hesitação vacinal prevalece”, lembrou.

“Isso é algo contra o qual temos que lutar todos – mídias, organismos internacionais, ministérios, sociedade civil. Todos temos que voltar a pensar a importância de colocar evidências científicas e dados comprobatórios no centro da tomada de decisões. A nível coletivo, como em políticas públicas, mas também em tomadas de decisões a nível individual e das famílias.”

“É muito importante que todos colaboremos para esclarecer, por meio de dados comprobatórios, com evidências, a importância das vacinas. Dentre as intervenções de saúde pública, talvez seja a mais custo-efetiva que podemos imaginar, em que protegemos com um esforço sempre muito importante, mas cujos ganhos que vamos ter em termos de vidas salvas são incríveis”, concluiu.