Moisés Rabinovici
Um soldado israelense derrubou um Cristo na cruz e o golpeou no rosto com um martelo, na cidade de Debel, no sul do Líbano, no domingo.
A imagem viralizou nas redes sociais. De tão nociva para Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu postou no X, nesta segunda-feira: “Ontem, assim como a grande maioria dos israelenses, fiquei chocado e triste ao saber que um soldado das Forças de Defesa de Israel danificou um ícone religioso católico no sul do Líbano.”
Ele acrescentou: “Israel é o único país da região onde a população cristã e o padrão de vida (dela) estão crescendo. Israel é o único lugar no Oriente Médio que respeita a liberdade de culto para todos.”
Segundo o Times of Israel, não se tratava de um soldado isolado. Um outro militar fez o registro da cena, e o grupo — como é comum em áreas de combate — era maior.
As Forças de Defesa de Israel afirmaram que o episódio “constitui um desvio de ordens” e que o caso foi tratado pelo comando da unidade, de acordo com o código disciplinar.
Na semana passada, guardas israelenses de fronteira foram condenados a duas semanas de prisão por “ferir a religião e o judaísmo” ao fazerem um churrasco dessacralizando o Shabat. Ao mesmo tempo, três soldadas foram submetidas à Corte Marcial por usarem “roupas reveladoras” na base, quando foram receber baixa do serviço militar.
O Times of Israel observou: se todas as violações são tratadas com o mesmo rigor, pode-se esperar uma punição severa para o reservista envolvido na profanação da estátua.
O episódio atinge uma relação historicamente sensível. No fim dos anos 1970, Israel socorreu maronitas cercados no Líbano. Em 1982, apoiou a ascensão do líder cristão Bashir Gemayel à presidência — interrompida por um atentado que o matou.
Hoje, os atritos se acumulam. Um disparo de tanque atingiu recentemente a única igreja católica de Gaza, matando três pessoas. Em Jerusalém, a polícia chegou a barrar, no Domingo de Ramos, a entrada do Patriarca Latino Pierbattista Pizzaballa no Santo Sepulcro — episódio contido após intervenção de Netanyahu.



