Protestos da sociedade civil israelense tomam conta do país. (Reprodução TV)


A Suprema Corte de Israel decidiu, nesta sexta-feira (21), suspender a demissão de Ronen Bar, chefe do Shin Bet, a agência de segurança interna do país.

A decisão do governo, anunciada no dia anterior, gerou uma onda de protestos e críticas, e agora será analisada em detalhes pelo tribunal, que marcou audiências até o dia 8 de abril para avaliar cinco recursos contra a medida.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu justificou a demissão alegando perda de confiança em Bar, especialmente após o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra em Gaza.

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No entanto, a decisão foi vista por muitos como uma tentativa de enfraquecer instituições estatais, já que o Shin Bet está investigando um escândalo apelidado de “Qatargate”, envolvendo supostos pagamentos secretos do Catar a membros do gabinete de Netanyahu e até à sua família.

Protestos nas ruas e pressão política

A demissão de Bar provocou indignação popular. Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de Jerusalém e Tel Aviv nesta semana, acusando o governo de tentar interferir nas investigações e minar a independência do Shin Bet. Para os críticos, Bar se tornou alvo de Netanyahu por suas críticas ao governo após o ataque do Hamas.

Acusações de corrupção

O caso “Qatargate” ganhou destaque na mídia israelense e internacional. A investigação conduzida pelo Shin Bet aponta para possíveis pagamentos secretos do Catar, envolvendo figuras do alto escalão do governo e até membros da família de Netanyahu, que já enfrenta outras acusações de corrupção. Em uma carta publicada na quinta-feira, Bar afirmou que sua demissão foi baseada em alegações infundadas, com o objetivo de “impedir investigações”.

Com a decisão da Suprema Corte, o futuro de Ronen Bar no comando do Shin Bet ainda está em aberto. Enquanto isso, o tribunal promete uma análise rigorosa dos recursos apresentados, e a pressão sobre Netanyahu só aumenta, tanto nas ruas quanto dentro das instituições.

Oposição fala em ameaça à democracia

Pela primeira vez na história de Israel, um diretor do Shin Bet, a agência de segurança interna, foi demitido

Manifestantes em Tel Aviv protestam contra a decisão do premiê Benhjmain Netahyahu, que anunciou a demissão do chefe do Shin Bet, o serviço de inteligência interna de Israel. (Foto Redes Sociais)

Ronen Bar, que assumiu o cargo em outubro de 2021 para um mandato de cinco anos, afirmou que irá se defender diante das autoridades competentes.

Em uma carta divulgada na noite de quinta-feira, Bar declarou que sua demissão, anunciada no domingo pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, foi motivada por “interesses pessoais” e tinha como objetivo “bloquear investigações sobre os eventos que levaram ao ataque de 7 de outubro e outros casos atualmente sob análise do Shin Bet”.

Ele também acusou Netanyahu de comprometer a segurança nacional ao dificultar investigações sobre supostas conexões de aliados próximos do premiê com o Catar.

Bar ainda afirmou que Netanyahu prejudicou as negociações para a libertação de reféns ao afastá-lo, junto com o chefe do Mossad, da equipe de negociadores. A decisão de demitir o chefe do Shin Bet gerou uma onda de indignação, com a oposição classificando o ato como uma “ameaça à democracia” e acusando Netanyahu de tentar concentrar poder.

Protestos e tensões políticas

Na noite de quinta-feira, milhares de manifestantes se reuniram em frente à residência oficial do primeiro-ministro em Jerusalém e, posteriormente, em frente ao Knesset, o parlamento israelense, onde ministros estavam reunidos. A demissão de Bar intensificou as críticas ao governo, que já enfrenta pressão por outras acusações de corrupção.

Ronen Bar já havia sinalizado que poderia renunciar antes do fim de seu mandato, mas sob seus próprios termos e assumindo a responsabilidade por falhas de sua agência. Uma investigação interna do Shin Bet, divulgada em 4 de março, apontou erros na coleta de informações que poderiam ter alertado as autoridades sobre o ataque de 7 de outubro. O relatório também criticou a política de moderação do governo em relação ao Hamas nos últimos anos, afirmando que isso permitiu ao grupo construir um arsenal militar significativo.