Donald Trump diz que vai impor as tarifas sobre produtos chineses depois que Pequim impôs restrições aos minerais de terras raras. - Reprodução


O presidente dos Estados Unidos manteve o suspense até quase o último momento. Poucas horas antes da entrada em vigor das tarifas adicionais sobre as exportações chinesas, Donald Trump assinou um decreto na segunda-feira (11) adiando, por enquanto, a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. A expectativa é de que a trégua de 90 dias abra caminho para um possível encontro ainda este ano entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou por mais 90 dias as negociações comerciais com a China. O anúncio foi feito na segunda-feira na rede Truth Social e confirmado por Pequim por meio da agência estatal Xinhua.

O prazo anterior expiraria à meia-noite e um minuto desta terça-feira (12). Sem a prorrogação, os EUA poderiam elevar as tarifas sobre importações chinesas de 30% para 54%, enquanto a China aumentaria impostos sobre produtos americanos.

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O acordo foi formalizado em uma declaração conjunta publicada pela Casa Branca e pelo governo chinês após reuniões em Londres e Estocolmo. A prorrogação está alinhada com o tom otimista dessas últimas conversas bilaterais, realizadas no final de julho.

Segundo o decreto, “os Estados Unidos mantêm a suspensão de uma tarifa adicional de 24% sobre produtos chineses por um período adicional de 90 dias, mantendo a taxa remanescente de 10%”.

Em contrapartida, “a China também suspenderá a aplicação de 24% de tarifa adicional sobre produtos americanos pelo mesmo período e adotará todas as medidas administrativas necessárias para suspender ou remover contramedidas não tarifárias acordadas anteriormente”.

Com a trégua, as taxas permanecem em 30% para importações chinesas nos EUA e 10% para importações americanas na China. As negociações continuam com um novo prazo até 9 de novembro.

Tarifas estratosféricas

Essa nova trégua evita a volta de tarifas alfandegárias estratosféricas que chegaram a 145% sobre produtos chineses antes do acordo assinado em 12 de maio de 2025. Para pressionar pelo combate ao tráfico de fentanil, Trump aplicou aos produtos chineses uma tarifa de 10% além da existente antes de 1º de janeiro, e adicionou 20% em abril em nome da reciprocidade.

Diante das retaliações da China, as duas potências mundiais entraram em uma escalada que levou a aumentos tarifários de até 125% para produtos americanos e 145% para produtos chineses, antes de um acordo ser fechado e as negociações serem retomadas.

Para Sean Stein, presidente do Conselho Empresarial EUA-China, a nova prorrogação até novembro é “crucial” para dar tempo aos dois governos de negociarem um acordo, oferecendo a previsibilidade necessária de planejamento às empresas que operam nos dois mercados.

Um acordo comercial, por sua vez, “abriria caminho para uma reunião de cúpula entre Trump e Xi”, disse Wendy Cutler, vice-presidente do Instituto de Política da Sociedade Asiática. No entanto, Cutler – que já foi funcionária do comércio dos EUA – alertou que essa possibilidade “está longe de ser um passeio no parque.”

Gestos adicionais de Trump

Além de assinar o decreto, Donald Trump convidou na segunda-feira Pequim, por meio das redes sociais, a quadruplicar suas importações de soja americana, o que ajudaria a reequilibrar a balança comercial. Além disso, concedeu licenças de exportação para os fabricantes americanos de microprocessadores Nvidia e AMD, em troca de uma parte dos lucros. Esse acordo inédito ocorre após o relaxamento das restrições à exportação de tecnologia para a China.

A prioridade dos Estados Unidos é o acesso às terras raras, das quais a China detém o monopólio. Após uma suspensão durante o auge das tensões, Pequim reabriu parcialmente as exportações em meados de junho.