Na sua política contra o que qualifica de combater “gastos desnecessários”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu atacar os meios de comunicação internacionais mantidos com recursos públicos pelo seu país, incluindo órgãos como Voz da América, Radio Free Asia e Radio Free Europe.
O governo Trump demitiu funcionários desses organismos no último sábado (15), atraindo a ira dos defensores da liberdade de imprensa, mas, do outro lado, ganhou apoio e aplausos de algumas ditaduras, satisfeitas por não serem mais criticadas.
O site da Voz da América explica que a VOA (na sigla em inglês) é a maior emissora internacional dos Estados Unidos, fornecendo notícias e informações em quase 50 idiomas para uma audiência semanal estimada em mais de 354 milhões de pessoas.
“A VOA produz conteúdo para plataformas digitais, de televisão e rádio, distribuídos via satélite, cabo, FM e ondas médias (MW) e retransmitidos por uma rede de mais de 3.500 emissoras afiliadas” . A VOA sempre foi identificada por difundirr a ideologia global dos Estados Unidos nos quesitos democracia, liberdade e economia livre.
As demissões na VOA ocorreram após Trump ter assinado, na sexta-feira (14), uma ordem executiva para enfraquecer uma série de pequenas agências e escritórios governamentais. O documento prevê que a Agência dos Estados Unidos para Mídia Global, que supervisiona a VOA e uma série de outras emissoras globais, seja “eliminada na maior extensão possível, conforme a legislação aplicável”.
CHINA APLAUDE
O Ministério das Relações Exteriores da China se manifestou satisfeito, qualificando as coberturas sobre a China como “notoriamente ruins”. “Nunca, a Voz da América foi uma mídia justa e imparcial”, traz o editorial do Global Times, um tabloide porta-voz do Partido Comunista, que ironizou: “O chamado farol da liberdade foi agora jogado pelo seu próprio governo como um pano velho e sujo”.
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Para o jornal nacionalista, a Voz da América era apenas uma “máquina de propaganda” e uma “fábrica de mentiras”, seja para “difamar os direitos humanos na (região autônoma) do Xinjiang, promover a independência de Taiwan ou apoiar os manifestantes de Hong Kong”. “As narrativas de demonização propagadas pela Voz da América se tornarão, no final, a piada da época”, acrescentou.
Os temas espinhosos abordados pela Radio Free Asia incluem abusos de direitos humanos presumidos pela China contra as minorias étnicas nas regiões de Xinjiang e Tibete, bem como a repressão aos ativistas pró-democracia em Hong Kong.
Outro regime autoritário, mas a mesma satisfação: o ex-primeiro-ministro Hun Sen, que comandou o Camboja com mão de ferro por quase 40 anos, agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela suspensão dos meios de comunicação americanos no exterior. “Obrigado, presidente Donald Trump”, escreveu ele em sua página no Facebook, em uma mensagem acompanhada de fotos do encontro deles durante uma cúpula regional nas Filipinas, em 2017.
“Esta é uma contribuição importante para a eliminação de informações falsas, desinformação, mentiras, distorções, incitação e caos no mundo”, escreveu Hun Sem, que nunca parou de reprimir qualquer voz crítica em seu país. Em 30 anos, pelo menos 15 jornalistas pagaram com a vida pelo exercício da profissão. Voz da América e Radio Free Asia, que possuem canais no idioma local khmer, faziam parte dos últimos meios de comunicação a poder criticar o governo no Camboja, em um contexto de encolhimento do espaço democrático.
Essas suspensões, assim como de toda a Voz da América e da Radio Free Europe, podem “beneficiar nossos inimigos comuns”, salientaram a União Europeia e organizações defensoras da liberdade de imprensa.





