O presidente Trump e Maduro: diálogo revelado pelo New York Times. (Reproduções)


O presidente Donald J. Trump conversou por telefone, no último fim de semana, com Nicolás Maduro, líder da Venezuela, segundo fontes que tiveram conhecimento do assunto. A chamada, revelada pelo The New York Times e confirmada por fontes em Washington e Caracas, ocorreu em meio à maior mobilização militar dos Estados Unidos na América Latina em décadas.

De acordo com autoridades que acompanharam a ligação, o secretário de Estado Marco Rubio participou da conversa. Rubio, crítico ferrenho do regime chavista, foi incluído na chamada como sinal da postura dura de Washington em relação a Caracas.

Ainda assim, o diálogo abordou a possibilidade de um encontro entre os dois presidentes em território americano, embora não haja planos concretos para que isso aconteça.

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A revelação chega em um momento de tensão crescente. Nas últimas semanas, os Estados Unidos reforçaram sua presença militar no Caribe, enviando o porta-aviões nuclear USS Gerald Ford e destacando tropas e aeronaves para operações contra o narcotráfico. Analistas afirmam que a movimentação tem também um objetivo político: pressionar Maduro a deixar o poder.

A ligação antecedeu a decisão do governo americano de classificar o Cartel de los Soles, grupo acusado de vínculos com altos oficiais venezuelanos, como organização terrorista. Essa medida ampliou o isolamento internacional de Caracas e reforçou a narrativa de Washington de que o regime de Maduro representa uma ameaça regional.

Embora a conversa tenha surpreendido observadores, não é a primeira vez que Trump sinaliza abertura para diálogo com adversários. Em ocasiões anteriores, o presidente americano já havia sugerido encontros com líderes considerados hostis, como Kim Jong-un, da Coreia do Norte. A estratégia, segundo assessores, busca combinar pressão militar e diplomática com gestos de disposição para negociar.

Em Caracas, o governo venezuelano não comentou oficialmente o telefonema. Fontes próximas ao Palácio de Miraflores afirmaram apenas que Maduro vê a conversa como um reconhecimento de sua legitimidade, em contraste com a posição de Washington nos últimos anos, que apoiou o opositor Juan Guaidó como presidente interino.

O episódio reacende o debate sobre a política externa americana na região. Para críticos, a ligação representa uma contradição: ao mesmo tempo em que intensifica a pressão militar, Trump abre espaço para diálogo com um líder acusado de violações de direitos humanos e de vínculos com o narcotráfico. Para aliados, trata-se de uma demonstração de pragmatismo, capaz de abrir novas vias de negociação em um cenário de impasse.