O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe nesta segunda-feira o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e sete líderes europeus para uma reunião decisiva sobre os rumos da guerra na Ucrânia. O encontro acontece na Casa Branca e é considerado um dos momentos mais delicados da diplomacia internacional desde o início do conflito, em fevereiro de 2022.
A reunião ocorre três dias após Trump se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin, no Alasca. Na ocasião, Putin conseguiu convencer o líder americano a abandonar a exigência de um cessar-fogo imediato. Em troca, reforçou demandas já conhecidas: anexação de territórios ucranianos, desarmamento das forças de Kiev e retirada das sanções internacionais impostas ao Kremlin.
Durante a conversa, Trump e Putin discutiram a cessão completa das regiões de Donetsk e Lugansk à Rússia, incluindo áreas que ainda não estão sob ocupação militar. O presidente ucraniano rejeita essa proposta, mas admitiu ontem, em Bruxelas, que pode negociar sobre os territórios já controlados por tropas russas.
A reunião bilateral entre Trump e Zelensky está marcada para as 14h15, no horário de Brasília, no Salão Oval da Casa Branca. Em seguida, às 16h, o presidente americano se reúne com os líderes europeus na Sala Leste. Participam Emmanuel Macron, da França; Keir Starmer, do Reino Unido; Friedrich Merz, da Alemanha; Ursula von der Leyen, da Comissão Europeia; Mark Rutte, da Otan; Giorgia Meloni, da Itália; e Alexander Stubb, da Finlândia.
Diplomatas europeus afirmam que alguns desses líderes foram convidados para conter possíveis tensões entre Trump e Zelensky. O último encontro entre os dois, em fevereiro, terminou de forma abrupta, com o presidente americano chamando o ucraniano de “ingrato” diante das câmeras.
Zelensky insiste que não aceitará ceder território e defende um acordo com garantias internacionais de segurança, semelhantes às previstas no Artigo 5 da Otan, que estabelece defesa coletiva em caso de ataque. Segundo o presidente ucraniano, a linha de frente atual é o ponto de partida para qualquer negociação.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, reconheceu que Kiev provavelmente terá de aceitar, na prática, a perda de territórios, mesmo que isso não seja formalizado juridicamente. A declaração reflete o clima de realismo que domina os bastidores da reunião em Washington.
Se houver avanços nas conversas de hoje, Trump pretende organizar uma cúpula tripartite com Ucrânia e Rússia já nesta sexta-feira. Putin prometeu participar, mas impôs uma condição: que Kiev renuncie previamente a determinados territórios. Apesar disso, o presidente russo continua classificando Zelensky como ilegítimo. Diplomatas europeus têm dúvidas se Putin realmente aceitará dividir a mesa com o líder ucraniano ou se está apenas ganhando tempo para consolidar seus avanços militares.
A presença dos líderes europeus em Washington é vista como uma tentativa de reforçar a posição ucraniana e evitar que Trump pressione Zelensky a aceitar um acordo desfavorável. A estratégia é buscar garantias concretas de segurança para Kiev e limitar o espaço de manobra de Moscou nas negociações.





