O ID Cross é um dos modelos cujo design segue o padrão conservador da VW, diferente da tendência chinesa. (Foto: Divulgação)


O Grupo Volkswagen está lançando uma ofensiva no mercado de carros compactos elétricos, apresentando novos modelos que estão entre os mais baratos já lançados pela firma alemã até hoje, com um dos veículos tendo preço inicial de 25 mil euros (R$ 146 mil).

Os lançamentos ocorrem em meio a um grande programa de reestruturação da Volkswagen, marcado por demissões em massa de dezenas de milhares de empregos na Alemanha. Registrando queda nos lucros, a Volkswagen enfrenta uma concorrência cada vez mais feroz da chinesa BYD e de outras montadoras asiáticas no mercado de carros elétricos.

Um dos veículos apresentados pelo grupo alemão para concorrer com os chineses é o Raval, da Cupra, subsidiária espanhola da VW, com lançamento previsto para este ano. O modelo básico do esportivo compacto elétrico será de 26 mil euros.

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Já o VW ID.Polo, com lançamento previsto para o final deste ano, será 1.000 euros mais barato. O preço inicial apresentado pelo grupo é 25 mil euros, comparável preço aos 23 mil euros cobrados pela BYD pelo seu veículo de entrada Dolphin Surf, do mesmo segmento.

Os outros dois modelos apresentados pela montadora alemã serão produzidos pela própria VW e pela Skoda, outra marca do grupo. São dois SUVs compactos, o VW ID.Cross e o Skoda Epiq.

Com quatro carros compactos de três marcas diferentes, o grupo VW pretende entrar no segmento de entrada de veículos elétricos com preços mais acessíveis que seu atual modelo básico, o ID.3, que custa cerca de 30 mil euros. A VW delegou a liderança do lançamento à sua marca espanhola, já que todos os quatro carros serão produzidos na Espanha, com o desenvolvimento liderado pela Cupra e sua marca irmã, a Seat.

O Cupra Raval estará inicialmente disponível exclusivamente em três “edições de lançamento” – com uma bateria de grande capacidade, pelo menos 211 cv e autonomia de até 450 quilômetros. O preço: 37.250 euros, confirmou um porta-voz do grupo.

Já a versão básica, com preço em torno de 26 mil euros, deverá entrar no mercado em meados do ano – com uma bateria menor e menos potência. Os clientes provavelmente poderão encomendar o modelo a partir de julho, acrescentou o porta-voz. O ID.Polo de 25 mil euros, por sua vez, terá uma autonomia básica de 329 quilômetros.
Projeto conjunto gera economia de 650 milhões de euros

O Raval já havia sido apresentado em setembro passado no Salão do Automóvel de Munique (IAA), juntamente com o ID.Polo e suas duas variantes SUV. O CEO da Cupra, Markus Haupt, falou na ocasião sobre um “divisor de águas”. A estreita colaboração com suas marcas irmãs neste modelo é o que torna o Raval especial, segundo Haupt.

Os quatro veículos compartilham a mesma plataforma e serão produzidos em duas fábricas na Espanha. De acordo com a VW, o desenvolvimento conjunto resultará em uma economia de 650 milhões de euros. O volume de produção previsto para os quatro modelos combinados é de várias centenas de milhares de carros por ano. Espera-se que isso impulsione significativamente as vendas de veículos elétricos do grupo. No ano passado, a VW vendeu um total de 983.100 carros elétricos com todas as marcas do grupo somadas, dos quais quase 80.000 eram Cupras.

No próximo ano, a VW afirmar que pretende lançar um carro compacto ainda mais barato, o VW ID.Every1, com preço inicial em torno de 20 mil euros.

Momento delicado para a VW

Os lançamentos ocorrem num momento delicado para a VW. Na quinta-feira (30/04), o grupo anunciou novos números negativos, apontando que seu lucro líquido caiu 28,4% no primeiro trimestre de 2026, com valor alcançando 1,56 bilhão de euros no período de janeiro a março, informou a empresa. Um ano antes, a VW havia registrado 2,19 bilhões.

Já a receita caiu 2,5%, para 75,7 bilhões de euros, enquanto a margem operacional recuou para 3,3%, ante 3,7% no ano anterior.

“Guerras, tensões geopolíticas, barreiras comerciais, regulamentações mais rígidas e concorrência acirrada estão criando dificuldades”, disse o presidente-executivo da VW, Oliver Blume, em comunicado.

O grupo também continua pressionado pelas vendas fracas na China e nos Estados Unidos. As entregas globais de todas as marcas caíram 4%, para 2,05 milhões de veículos, com as quedas em ambas as regiões impactando os ganhos na Europa. Os resultados também foram afetados negativamente pelo fraco desempenho da marca de luxo esportiva Porsche e da subsidiária de caminhões Traton.