STJ e STF: diante de tantas coisas estranhas, a saída é um código de controle. (Reproduções)


Cinquenta organizações da sociedade civil e lideranças empresariais articulam um movimento para pressionar pela adoção de um código de conduta para ministros de tribunais superiores, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF).

O grupo propõe sete regras objetivas para garantir a independência judicial, complementando a proposta elaborada pela OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo).

Mobilização e apoio de peso

A iniciativa é liderada pelas ONGs Transparência Brasil, Derrubando Muros e Movimento Orçamento Bem Gasto, com apoio da República.Org e do Movimento Pessoas à Frente.

Entre os signatários estão nomes de peso do setor privado, como:

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  • Maria Silvia Bastos Marques: Ex-presidente do BNDES e da CSN.
  • Fábio Barbosa: Presidente do Conselho de Administração da Natura.

Para Maria Silvia, o código é uma ferramenta para reduzir a “perplexidade” da sociedade diante da conduta de magistrados. “Um instrumento como esse daria uma transparência absolutamente necessária às instituições que são o pilar da nossa democracia”, afirma.

As 7 exigências do movimento

As entidades elencam diretrizes mínimas para a operação ética do Judiciário:

  1. Imparcialidade: Declaração prévia de conflito de interesses em casos de conexão pessoal, patrimonial ou ideológica.
  2. Benefícios e Hospitalidades: Regras rígidas para eventos externos remunerados e transparência total sobre vantagens recebidas.
  3. Relações Privadas: Prevenção de conflitos quando parentes de ministros atuam em escritórios de advocacia com causas nos tribunais.
  4. Comunicação Pública: Autocontenção em redes sociais para evitar antecipação de votos ou posicionamentos político-partidários.
  5. Ensino Jurídico: Regras para palestras e aulas financiadas por litigantes habituais ou instituições com interesse em decisões da Corte.
  6. Transparência: Divulgação padronizada de agendas, patrimônio e recusas de convites.
  7. Fiscalização Independente: Criação de um órgão autônomo para garantir o cumprimento das normas.

Pressão sobre o STF

O movimento busca impulsionar uma petição online que já soma mais de 43 mil assinaturas.

O objetivo é dar respaldo político ao presidente do STF, Edson Fachin, que defende a medida.

“Eu não vejo a sociedade apática, vejo a sociedade indignada e buscando canais para se expressar”, diz Fábio Barbosa, da Natura.
Resistência interna: Apesar de Fachin buscar o consenso, ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes formam uma ala que resiste à iniciativa, tentando frear a discussão.
Próximos passos: A estratégia deve seguir duas frentes:

  • No STF: Disciplinar a conduta interna dos ministros da Suprema Corte.
  • No CNJ: Criar um regramento para os demais tribunais superiores por meio do Observatório da Integridade e Transparência.

A proposta é inspirada no modelo do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha.