O presidente Donald Trump sugeriu nesta segunda-feira (29) que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, poderá receber um perdão presidencial em seu julgamento por corrupção. Durante o encontro em sua residência em Mar-a-Lago, Trump também ameaçou o Irã com novos ataques militares caso o país retome seu programa nuclear.
O encontro foi o quinto entre os dois líderes desde que Trump assumiu o cargo há quase um ano. Trump afirmou ter conversado com o presidente de Israel, Isaac Herzog, e disse acreditar que um perdão para Netanyahu estaria “a caminho”.
Em nota, o gabinete de Herzog negou que uma decisão tenha sido tomada, afirmando que o tema permanece em avaliação e sem prazo definido. Netanyahu chamou a reunião de “muito produtiva” e descreveu Trump como o maior amigo que Israel já teve na Casa Branca.
“Ele pode ser muito difícil”, disse Trump sobre Netanyahu, acrescentando que Israel “talvez nem existisse” sem a liderança do premiê após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Ameaça ao Irã e Cessar-fogo
Trump afirmou que os Estados Unidos podem lançar ataques caso Teerã tente reconstruir instalações nucleares ou ampliar a capacidade de mísseis de longo alcance. O aviso ocorre seis meses após ataques americanos contra o programa nuclear iraniano.
“Se houver confirmação de novas atividades, as consequências serão muito poderosas, talvez ainda mais fortes do que na última vez”, disse o presidente.
O Irã nega o enriquecimento de urânio e afirma estar aberto à diplomacia. No entanto, Ali Shamkhani, assessor do líder supremo iraniano, escreveu na rede social X que qualquer agressão receberia uma “resposta muito severa”, afirmando que a capacidade balística do país não pode ser contida.
Sobre o conflito em Gaza, Trump disse que pretende avançar para a segunda fase de um acordo de cessar-fogo, mas reiterou que o desarmamento do Hamas é uma condição central. O plano, mediado pelos EUA, está em vigor desde outubro, mas ambos os lados relatam violações frequentes.
Prêmio Israel
O governo israelense anunciou que concederá a Trump o Prêmio Israel, honraria tradicionalmente reservada a cidadãos do país por contribuições em artes e ciências.
O ministro da Educação, Yoav Kisch, disse que esta será a primeira vez que o prêmio será entregue a um chefe de Estado estrangeiro, citando a “contribuição excepcional [de Trump] ao povo judeu”.
Embora os líderes demonstrem unidade pública, persistem divergências sobre o futuro da Cisjordânia, o papel da Turquia no pós-guerra e a situação na Síria. Para Netanyahu, o apoio de Trump surge em um momento de pressão por seus processos judiciais e questões políticas internas em Israel.



