O Ministério das Relações Exteriores reuniu-se, nesta terça-feira (21), com representantes da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília para tratar da ordem de expulsão do delegado da Polícia Federal
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho atuava como oficial de ligação em Miami e teve sua saída determinada pelas autoridades norte-americanas.
Durante o encontro com a encarregada de negócios da embaixada, Kimberly Kelly, diplomatas brasileiros pediram esclarecimentos formais sobre a medida. O governo brasileiro sinalizou que avalia aplicar o princípio da reciprocidade — o que poderia levar à expulsão de agentes norte-americanos que atuam no Brasil — caso não haja uma justificativa plausível para a saída do delegado.
Reação do Governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em viagem oficial, classificou o episódio como uma possível “ingerência”.
“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade. Não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade”, afirmou o presidente.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reforçou que o delegado atuava em missão de cooperação internacional conhecida e autorizada por ambos os países. Segundo a PF, Marcelo Ivo de Carvalho estava em Miami desde 2023, trabalhando junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).
A tensão diplomática ocorre em um momento delicado, após o envolvimento do delegado em investigações que repercutiram na política interna e externa, incluindo o monitoramento de figuras políticas brasileiras em solo americano.
Até o momento, o Departamento de Estado dos EUA não detalhou os motivos específicos que levaram à revogação do visto ou à ordem de saída do agente. O delegado deve retornar ao Brasil ainda nesta semana, enquanto o Itamaraty aguarda uma resposta oficial para decidir os próximos passos da resposta diplomática brasileira.





