Maduro e a mulher chegam a Nova York presos pelos americanos. (Reprodução: TV)


Um sargento das forças especiais norte-americanas foi preso nesta quinta-feira (23) sob suspeita de ter explorado informações confidenciais para lucrar em apostas relacionadas à captura de Nicolás Maduro. De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Gannon Ken Van Dyke movimentou cerca de US$ 33 mil (R$ 165 mil) em contratos na plataforma Polymarket entre 27 de dezembro e 2 de janeiro, acumulando ganhos estimados em mais de US$ 400 mil (R$ 2 milhões).

As autoridades afirmam que Van Dyke, que participou diretamente da operação militar que levou à prisão do presidente venezuelano, utilizou dados restritos para antecipar o resultado antes do anúncio oficial feito pelo presidente Donald Trump. A sequência de apostas, realizada em poucos dias, chamou atenção de reguladores e desencadeou uma investigação que durou meses.

Segundo os investigadores, o militar comprou contratos quando ainda estavam baratos. Após a confirmação da operação, os papéis dispararam, garantindo retorno elevado. Registros da Polymarket mostram que a conta usada para as transações foi criada pouco antes das apostas e, posteriormente, vinculada a carteiras de criptomoedas no exterior. Van Dyke teria tentado ocultar sua identidade ao solicitar a exclusão da conta e alterar endereços eletrônicos associados às movimentações financeiras.

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O caso resultou em acusações formais de fraude eletrônica (pena máxima de até 20 anos), transações monetárias ilegais (até 10 anos) e violações da Lei de Bolsa de Mercadorias (até 10 anos cada).

Em nota, o FBI destacou que militares têm acesso a informações altamente sensíveis para cumprir missões estratégicas e não podem utilizá-las em benefício próprio. “O uso de dados confidenciais para ganhos pessoais compromete a integridade das forças armadas e será tratado com rigor”, afirmou o procurador-geral interino Todd Blanche.

Plataformas como a Polymarket funcionam com contratos binários: os usuários apostam em eventos futuros e recebem US$ 1 (R$ 5) por contrato caso o resultado se confirme. O episódio reacende o debate sobre os riscos de mercados de previsão quando informações privilegiadas entram em jogo.