O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, entregou esse plano mais recente ao Paquistão, no domingo, 26, depois que uma proposta inicial, feita um dia antes, foi rejeitada por Donald Trump, segundo autoridades iranianas familiarizadas com as negociações, que falaram ao Times e pediram para não serem identificadas.
Em visita a Moscou, Araghchi se reuniu nesta segunda, 27, com o presidente russo, Vladimir Putin, e o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov. No encontro, segundo a TV estatal russa, Putin disse a Araghchi que a Rússia fará “tudo o que estiver ao seu alcance” para que a paz seja alcançada o mais rápido possível. Putin também afirmou que Moscou “pretende continuar sua relação estratégica com Teerã”.
A Casa Branca não se pronunciou. “Trata-se de discussões diplomáticas delicadas, e os EUA não negociarão por meio da imprensa”, disse Olivia Wales, porta-voz da Casa Branca.
Impasse
A nova oferta do Irã foi apresentada após semanas em que Teerã e Washington trocaram rascunhos de propostas, mas não obtiveram avanços nas questões espinhosas relacionadas ao programa nuclear iraniano.
Os EUA exigiram que o Irã suspendesse seu programa nuclear por 20 anos e entregasse seu estoque de 440 quilos de urânio altamente enriquecido, que poderia ser rapidamente transformado em várias armas nucleares caso o Irã decidisse militarizar seu programa atômico.
O Irã recusou, considerando as exigências dos EUA exageradas. Na proposta que o Irã entregou ao Paquistão no sábado, o país ofereceu uma suspensão de cinco anos de seu enriquecimento de urânio, seguida por cinco anos de enriquecimento civil de grau muito baixo em laboratórios. Isso teria diluído seu estoque e mantido metade dele no país sob a supervisão de inspetores internacionais, enquanto a outra metade seria entregue à Rússia, um aliado.
Mas os EUA rejeitaram a oferta. Trump disse, no sábado, 25, que os iranianos lhe deram uma resposta que “não era boa o suficiente”. Então, o Irã teve outra ideia: deixar as questões mais difíceis para depois.
“Essa é uma mudança na sequência para salvar as aparências: colocar o Estreito de Ormuz em primeiro lugar como parte dos acordos para o fim da guerra, e não das negociações formais; suspender o bloqueio; e adiar as questões mais difíceis para que elas não afundem o processo logo no início”, disse Ali Vaez, diretor para o Irã do International Crisis Group, centro de pesquisa para a prevenção de conflitos.
Liderança
Desde o início da guerra, um grupo de generais de alta patente da Guarda Revolucionária vem comandando os combates e tomando decisões cruciais sobre estratégia, cessar-fogo e negociações com os EUA, segundo autoridades iranianas. O novo líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, gravemente ferido e isolado em um esconderijo, delegou sua autoridade aos generais. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS) As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.




