Teerã está sendo destruída em sucessivos ataques das forças americana e israelense. (Foto: Reprodução)


Os primeiros militares americanos a morrer na guerra entre EUA e Israel contra o Irã foram vítimas de um aparente ataque de drone iraniano a um escritório improvisado no Kuwait, disseram três oficiais militares americanos com conhecimento direto do ataque à rede de TV norte-americana CBS News.

Ao menos seis americanos morreram em um ataque a um centro de operações táticas no porto de Shuaiba, no Kuwait — um dos vários países aliados dos EUA na região do Golfo Pérsico que têm enfrentado intensos ataques iranianos de mísseis e drones desde que EUA e Israel começaram a bombardear o Irã no início do sábado. O Comando Central dos EUA confirmou publicamente as mortes.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o ataque foi causado por uma poderosa arma iraniana que atravessou tanto as defesas aéreas quanto as fortificações do centro de operações.

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“Você tem defesas aéreas, e muita coisa está entrando, e você intercepta a maior parte”, disse Hegseth durante uma coletiva de imprensa no Pentágono.

“De vez em quando, você pode ter um, infelizmente, chamamos de squirter, que passa por aí. E, nesse caso específico, atingiu um centro de operações táticas que estava fortificado, mas essas são armas poderosas.”

Entretanto, os três oficiais militares dos EUA questionaram a afirmação de que o prédio estava adequadamente protegido.

Eles disseram à emissora norte-americana que o centro de operações era, na verdade, um trailer triplo adaptado como espaço de escritório — uma configuração comum em bases americanas no exterior.

As únicas fortificações do trailer eram as chamadas paredes em T, barreiras de concreto armado com aço de 12 pés de altura usadas para proteger militares contra explosões, ataques com foguetes e estilhaços, segundo os oficiais.

Mas as paredes em T não conseguiram proteger a instalação de um impacto aéreo. Dois oficiais disseram à CBS News que o ataque pareceu atingir o centro do topo do prédio.

Três autoridades também disseram à CBS News, sob condição de anonimato porque não estavam autorizadas a falar com a imprensa, que antes do ataque houve discussões no local sobre se o centro de operações táticas deveria ser utilizado, já que concentrava tropas americanas demais em um espaço considerado indefensável.

Avaliações preliminares de danos de combate sugerem que o centro de operações no Kuwait foi atingido por um drone unidirecional, segundo três oficiais militares dos EUA com conhecimento direto do ataque. Não está claro qual modelo foi usado, mas o Irã costuma empregar drones Shahed-136, conhecidos como “kamikaze”.

O fogo consumiu os prédios, dificultando a recuperação dos corpos logo após o ataque, disseram os oficiais à CBS News.

Duas das três fontes afirmaram não se lembrar de terem ouvido as sirenes de alerta, normalmente associadas a sistemas de contrabateria projetados para detectar munições inimigas. Elas também disseram que a sirene funcionou durante toda a semana anterior ao ataque, mas em incidentes anteriores alguns drones já estavam dentro da base antes de o alarme soar.

Além disso, duas fontes relataram que não havia nenhum sistema americano de contra-foguetes, artilharia e morteiros no porto de Shuaiba que pudesse ser usado para derrubar drones ou outras munições letais. O Kuwait tinha interceptadores nas proximidades, mas não está claro se foram empregados.

Pedidos por mais recursos para neutralizar drones foram feitos, mas nunca atendidos, disseram as fontes. Uma delas afirmou: “Basicamente, não tínhamos capacidade de neutralização de drones.”

“Sinto muito pelas perdas das famílias deles”, disse uma das fontes à CBS News. “Eles eram pessoas boas, fazendo o que sua nação pedia.”
Além dos seis mortos no Kuwait, pelo menos 18 militares haviam sido gravemente feridos até a manhã de segunda-feira na operação de combate, chamada de Operação Fúria Épica, disse um porta-voz do Comando Central dos EUA.