Aeroporto de Dubai paralisado por causa dos conflitos no Oriente Médio. (Reprodução: TV)


Turistas, viajantes a negócios e peregrinos estão presos em hotéis, aeroportos e navios de cruzeiro, sem previsão de retomada das rotas em virtude da guerra no Oriente Médio.

O avanço da guerra no Irã provocou o fechamento do espaço aéreo sobre o Golfo Pérsico e levou companhias aéreas a cancelar milhares de voos.

Segundo a empresa de análise de aviação Cirium, ao menos 12,9 mil voos foram cancelados até segunda-feira (2). Governos organizam operações de evacuação para atender à demanda crescente.

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Autoridades do Catar afirmaram ter interceptado ataques iranianos contra o Aeroporto Internacional de Hamad, em Doha. Também foram registrados ataques a aeroportos no Bahrein, em Dubai, Abu Dhabi e no Kuwait. O espaço aéreo de Iraque, Israel, Kuwait, Líbia e Catar seguia fechado até esta terça-feira, de acordo com a AFP.

EUA pedem saída imediata de cidadãos

O Departamento de Estado dos Estados Unidos recomendou que seus cidadãos deixem países como Irã, Iraque, Jordânia, Líbano e Israel. A secretária adjunta para Assuntos Consulares, Mora Namdar, escreveu na rede X que os americanos deveriam “partir agora” usando qualquer transporte comercial disponível.

Washington também retirou pessoal não essencial e familiares de seis países, incluindo os Emirados Árabes Unidos, que foram atingidos por ataques. Em Israel, a embaixada orientou cidadãos a sair pela Península do Sinai, no Egito.

Governos organizam repatriações

O Itamaraty calcula que cerca de 70 mil brasileiros vivem no Oriente Médio. O chanceler Mauro Vieira conversou com autoridades dos Emirados Árabes Unidos sobre a situação de turistas retidos em Dubai e Abu Dhabi.

Na Itália, o ministro da Defesa, Guido Crosetto, retornou a Roma em avião militar após ficar retido em Dubai com a família. A oposição pediu sua renúncia, mas a primeira-ministra Giorgia Meloni o defendeu.

A Alemanha estima que 30 mil turistas estejam presos na região e prepara voos de repatriação. A França também anunciou planos para trazer de volta milhares de cidadãos, num universo de até 400 mil franceses na área afetada.

Impacto na Ásia e no setor aéreo

Na Indonésia, mais de 4 mil viajantes ficaram retidos em Bali após o cancelamento de voos para o Oriente Médio. Autoridades locais concederam autorizações especiais para evitar problemas com vistos.

Companhias como Air France, KLM e Air India suspenderam rotas para Tel Aviv, Beirute, Dubai e Riad. Nos Estados Unidos, United, Delta e American registraram quedas de até 6% nas ações, acompanhadas por perdas em redes hoteleiras e empresas de cruzeiro.

Retornos em meio à tensão

Turistas romenos que visitavam Belém conseguiram regressar a Bucareste após viajar via Cairo. Peregrinos relataram momentos de pânico durante ataques em Israel.

No Reino Unido, passageiros vindos de Abu Dhabi desembarcaram em Londres na manhã de terça-feira. Um deles relatou à Sky News que recebeu alertas para se afastar das janelas do aeroporto devido ao risco de mísseis.