O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor dos Santos, afirmou nesta sexta-feira (31) que “ao menos 30 dos mortos identificados não tinham passagem pela polícia”.
Segundo ele, essas pessoas “passavam despercebidas da atuação da polícia”, o que explicaria a ausência de registros criminais.
A declaração foi dada durante coletiva de imprensa que contou também com a presença do secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
Na ocasião, o governo do estado divulgou dados sobre os mortos e presos na operação que mirou integrantes da facção Comando Vermelho.
Dos 99 corpos necropsiados pelo Instituto Médico Legal (IML), 42 tinham mandados de prisão pendentes — tanto por casos anteriores quanto por envolvimento direto na operação. Além disso, segundo o governo, “78 apresentavam relevante histórico criminal”.
“Alguns não tinham antecedentes criminais e foram presos em flagrante. Então são situações diferentes. Alguns têm anotações criminais, outros têm mandado de prisão, mandado de prisão da própria operação, ou de outros processos. Então é um misto que eventualmente, claramente no futuro, a gente vai conseguir numerar cada um deles e dizer o que cada um representa dentro desse contexto”, explicou Santos.
A lista divulgada pelo governo mostra que 39 dos mortos eram de outros estados, como Pará, Amazonas, Goiás e Ceará. Parte dos corpos já foi liberada para retirada pelas famílias.
Todos os presos tiveram a prisão preventiva decretada na audiência de custódia. “O que mostra que as prisões foram regulares”, disse Curi. A lista com os nomes dos detidos não foi divulgada.
Entre os presos estão homens de confiança de Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como líder da facção. Nikolas Fernandes Soares, conhecido como contador do CV, foi o primeiro capturado.
Segundo as investigações, ele era responsável pelo recolhimento do dinheiro da organização. Já Thiago do Nascimento Mendes, chefe do tráfico no Morro do Quitungo, foi preso na Chatuba da Penha.
Doca, principal alvo da operação, conseguiu escapar do cerco policial. “Prender o Doca é questão de tempo, por um triz, não prendemos o Doca, mas demos um baque na facção. A hora dele vai chegar, é questão de tempo”, afirmou Curi.
A Defensoria Pública do Rio de Janeiro informou que foi impedida de acompanhar as necropsias dos corpos no IML. Rafaela Garcez, coordenadora da Defesa Criminal, disse que o órgão buscará na Justiça o cumprimento das regras e o acesso às investigações.




