Um valor bilionário está à espera de resgate pelo Fundo Garantidor de Crédito. (Arte)


Imagine abrir a carteira e perceber que esqueceu uma nota de cem reais no bolso de uma calça antiga. Agora multiplique isso por milhões. É exatamente o que está acontecendo com 61.611 pessoas no Brasil. Seis meses após o Banco Central fechar as portas do Banco Master e de outras empresas do mesmo grupo (como o Will Bank e o Banco Pleno) por fraudes financeiras, uma montanha de dinheiro — exatos R$ 2,2 bilhões — continua dando sopa, esperando que os donos apareçam para buscá-la.

O dinheiro não sumiu porque existe o Fundo Garantidor de Créditos, o FGC. Ele funciona como uma espécie de seguro obrigatório dos bancos: se a instituição quebra, o fundo devolve o dinheiro de quem investia ali, com um limite de até R$ 250 mil por pessoa.

O grande problema de deixar esse dinheiro “esquecido” é o bolso. Desde o dia em que o banco foi fechado, o dinheiro parou de render. Ele está congelado. Na prática, com a inflação subindo todo mês, esse dinheiro perde poder de compra. Deixar as economias paradas lá é, literalmente, ver o seu dinheiro encolher.

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O tamanho do tombo

A quebra do grupo financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro foi gigante. Para pagar todo mundo que tinha direito, o FGC teve que abrir os cofres e usar R$ 57,4 bilhões de suas reservas. Até agora, a maior parte das pessoas já pegou o que era seu: quase um milhão de clientes do Banco Master receberam seus reembolsos, o que representa mais de 92% dos investidores prejudicados. Mas a minoria que restou ainda soma um valor bilionário.

A situação se repete nas outras marcas do grupo:

  • Banco Pleno: Mais de 18 mil pessoas ainda não foram buscar cerca de R$ 500 milhões.
  • Will Bank (investimentos maiores): Quase 38 mil clientes têm cerca de R$ 800 milhões para resgatar.

O caso dos “centavos” no Will Bank

Existe também um motivo curioso para tanta gente não ter ido atrás do prejuízo, especialmente no Will Bank. O banco digital tinha uma base enorme de clientes que guardavam quantias muito pequenas, menores que R$ 1.000.

O FGC abriu um mutirão para pagar esse grupo e descobriu que a imensa maioria das pessoas tinha menos de R$ 10 de saldo total na conta. Como o processo exige baixar aplicativo e preencher dados, muita gente preferiu simplesmente abrir mão de moedas para evitar a burocracia. Das 5 milhões de pessoas nessa faixa, apenas 19% se deram ao trabalho de pedir o estorno.

Se você tinha conta ou investimentos em alguma dessas instituições e não se mexeu desde janeiro, a recomendação dos especialistas é clara: vale a pena checar o aplicativo do FGC. O dinheiro é seu, está garantido, mas deixar ele parado é o pior negócio possível.