A crise do Banco Master chega a um ponto decisivo nesta terça-feira (30). A Polícia Federal vai ouvir, a partir das 14h, três protagonistas do caso: o empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB); e Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central.
A inquirição será feita pela delegada Janaína Palazzo, que faz desde o início a investigação das fraudes do Master e foi quem pediu à Justiça a prisão preventiva de Vorcaro e outros envolvidos no caso.
Os depoimentos serão acompanhados por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e por um representante do Ministério Público. Ao final, caberá à delegada responsável avaliar se há contradições relevantes entre as versões. Se considerar necessário, poderá determinar uma acareação entre os envolvidos.
Negociações e posições divergentes
Vorcaro e Costa estiveram juntos nas negociações para a venda do Banco Master ao BRB, banco público do Distrito Federal. Costa, antes de ser afastado do cargo em meio às investigações da PF sobre fraudes bancárias, defendia a compra como saída para a crise da instituição.
Já o diretor do BC, Ailton de Aquino, não é investigado, mas analisou alternativas técnicas para enfrentar a situação: aporte de recursos, troca de diretoria, venda e, por fim, liquidação. Como as primeiras opções não avançaram, sua área recomendou a liquidação.
A proposta de venda ao BRB foi vetada pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro, comandada por Renato Gomes. A decisão final coube à diretoria colegiada do Banco Central, que aprovou a liquidação por unanimidade.
A decisão de Toffoli e a reação do mercado
O ministro Dias Toffoli, relator do inquérito no STF, determinou a acareação de ofício em 24 de dezembro. “Nem o Banco Central nem Ailton de Aquino são investigados”, afirmou ao rejeitar recurso da instituição, que questionava a urgência do procedimento durante o recesso.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, havia pedido a suspensão da medida, alegando que seria prematura, mas o pedido foi negado.
Entidades representativas de bancos, fintechs e do mercado financeiro reagiram com notas públicas em defesa da autonomia do Banco Central. Alertaram que revisões de decisões como a liquidação de uma instituição podem “fragilizar a autoridade do regulador e gerar instabilidade no sistema financeiro”.
O que está em investigação
As apurações começaram em 2024 na Justiça Federal. Segundo a PF, o Banco Master não teria recursos suficientes para honrar títulos com vencimento em 2025.
O inquérito aponta que a instituição adquiriu créditos da empresa Tirreno sem efetuar pagamento e, em seguida, vendeu esses ativos ao BRB, que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões.
O Banco Central rejeitou a compra do Master pelo BRB e decretou a liquidação da instituição, citando, entre outros motivos, a falta de caixa para cumprir compromissos financeiros.
O que é a Tirreno
A Tirreno é uma empresa do grupo de Vorcaro.





