O governo do Irã acusou formalmente os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo no Golfo Pérsico nesta terça-feira, sinalizando que não pretende recuar nas horas finais antes do término da trégua de duas semanas. Enquanto o presidente Donald Trump antecipa a retomada dos bombardeios, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz foi paralisado, refletindo o temor global de uma escalada imediata no conflito.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyed Abbas Araghchi, classificou a manutenção do bloqueio naval como um “ato de guerra”. “Bloquear portos iranianos é uma violação do cessar-fogo. Atacar um navio comercial e tomar sua tripulação como refém é uma violação ainda maior”, afirmou Araghchi no X, acrescentando que Teerã sabe como “neutralizar restrições”.
Tensões em Washington e o papel de Vance
Embora o presidente Trump tenha anunciado que o vice-presidente JD Vance estaria a caminho de Islamabad para negociar a paz ao lado de Jared Kushner e Steve Witkoff, a Casa Branca confirmou que Vance permaneceu em Washington nesta terça-feira para reuniões políticas. O Irã, por sua vez, ainda não se comprometeu com novas rodadas de diálogo presencial.
Em entrevista à CNBC, Trump dobrou a aposta na estratégia de pressão máxima. “O bloqueio foi um tremendo sucesso”, disse o presidente, prevendo que os ataques aéreos serão retomados assim que o prazo expirar. “Eles não têm escolha a não ser [negociar]. Vamos acabar com um ótimo negócio.”
A posição coloca Vance em um dilema político. O vice-presidente, que construiu sua carreira criticando intervenções estrangeiras e o envio de ajuda à Ucrânia, é agora o principal fiador de uma guerra que ele inicialmente questionou nos bastidores. A resistência interna é visível: em eventos recentes, Vance foi confrontado por eleitores da base MAGA descontentes com o custo do conflito, que as pesquisas indicam ser impopular entre a maioria dos americanos.
Impacto global e paralisia marítima
O setor privado já reagiu ao agravamento da crise. A Maersk suspendeu todas as rotas pelo Estreito de Ormuz, citando uma situação “profundamente dinâmica e instável”. Dados do MarineTraffic mostraram que a via navegável, essencial para o suprimento global de energia, estava deserta nesta terça-feira.
“A segurança de nossos marítimos é a prioridade”, afirmou a Maersk em comunicado, ressaltando que a certeza marítima não é mais garantida na região. Com o fim do cessar-fogo iminente, o cenário é de um impasse diplomático que ameaça se transformar em uma nova fase de hostilidades abertas.





