Lula com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro. (Foto: Ag. Gov.)


Na visita oficial a Portugal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (21) que há uma incapacidade das instituições internacionais em mediar conflitos globais.

Durante declaração conjunta com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, Lula colocou a crise da governança global e o avanço das guerras no centro do debate, defendendo uma reforma no multilateralismo que interrompa a escalada de violência no mundo.

“Não é possível que você não tenha nenhuma instituição capaz de tentar contemporizar, harmonizar e acabar com a quantidade de guerras que nós temos no mundo hoje”, declarou o presidente. “Todo mundo sabe que eu sou defensor do multilateralismo. Todo mundo sabe que eu sou inimigo do unilateralismo e do protecionismo.”

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Xenofobia e integração

O encontro também serviu para selar o compromisso de ambos os governos no combate à xenofobia, em um momento de crescente tensão política na Europa sobre o tema migratório. Com a maior comunidade de estrangeiros em Portugal — cerca de 485 mil cidadãos regularizados —, os brasileiros foram elogiados por Lula pela capacidade de trabalho e adaptação.

O primeiro-ministro Luís Montenegro buscou afastar o estigma da discriminação, destacando a regularização de mais de 235 mil processos de brasileiros. Segundo ele, a integração é “impecável”, apesar de episódios isolados. “Isto não significa que não possa ter havido, aqui ou acolá, um foco de perturbação”, ponderou Montenegro, reforçando que os imigrantes gozam hoje de “cidadania integral e plena”.

A ‘porta’ para a Europa

No campo econômico, Lula reafirmou a importância estratégica de Lisboa para os interesses comerciais de Brasília, especialmente com a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, prevista para 1º de maio. O presidente defendeu que Portugal deixe de ser apenas um destino comercial para se tornar um parceiro na integração produtiva.

“Portugal pode ser a grande porta de entrada dos interesses empresariais brasileiros na Europa”, afirmou Lula, citando o caso da Embraer como modelo de cooperação a ser repetido. “É muito importante que parte das coisas que o Brasil vai negociar com a União Europeia possa ser construída aqui em Portugal.”

Para o presidente brasileiro, a relação bilateral vive hoje o seu “melhor momento”, pautada por uma lógica de ganho compartilhado. “O comércio internacional só dá resultado se você não quiser sufocar o teu cliente. É preciso que o cliente sobreviva para ser seu cliente”, concluiu.

A agenda em Lisboa encerra o giro europeu de Lula, que também incluiu passagens por Espanha e Alemanha, com foco em atrair investimentos e reforçar a imagem do Brasil como mediador em fóruns internacionais.