Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro: conversas comprometedoras. (Reproduções)


Uma auditoria interna do Banco de Brasília (BRB) e investigações conduzidas pela Polícia Federal revelaram diálogos comprometedores entre o ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa — atualmente preso —, e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que também se encontra em prisão preventiva. As mensagens interceptadas sugerem a existência de um esquema de fraude estruturado para direcionar aportes e favorecer Vorcaro em operações bilionárias.

O caso ganha contornos mais claros no contexto da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal no início de abril. A acusação aponta que Costa teria recebido vantagens indevidas para privilegiar o Banco Master em transações com o BRB. O impacto financeiro é expressivo: estima-se que o BRB tenha desembolsado R$ 12,2 bilhões em ativos do Master, sendo que muitos desses valores são considerados fictícios ou artificialmente inflados.

Os diálogos obtidos pela auditoria e pela PF expõem a proximidade e o alinhamento estratégico entre os envolvidos. Em uma das conversas, Vorcaro escreveu: “Precisamos ajustar os números para que o Banco Central não desconfie”, ao que Costa respondeu prontamente: “Já alinhei com o conselho, os aportes vão passar sem problemas”.

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Em outro trecho, o banqueiro sugere métodos para mascarar as operações, afirmando que deveriam “dar aparência de legalidade” e que, ao inflar os créditos em 90%, “ninguém iria perceber”.

Costa concordou com a estratégia, ressaltando que o importante era manter o fluxo e garantir o reforço financeiro ao Master.

As consequências financeiras desse esquema são severas. De acordo com as investigações, carteiras de crédito foram vendidas ao BRB com ágio de até 93%, e a Polícia Federal estima que o esquema tenha gerado cerca de R$ 140 milhões em propinas.

Atualmente, o BRB enfrenta riscos reais de crise de liquidez, com a possibilidade de uma intervenção direta do Banco Central.

Em sua defesa, os advogados de Paulo Henrique Costa afirmam que todos os aportes realizados foram examinados e aprovados pelo Banco Central.

Até o momento, Daniel Vorcaro não se manifestou oficialmente sobre os diálogos divulgados.

Em conclusão, os diálogos reforçam a tese da PF de uma fraude sistêmica envolvendo o BRB e o Banco Master, expondo vulnerabilidades críticas no sistema de fiscalização e levantando questionamentos sobre a atuação dos órgãos reguladores.

A investigação segue em curso, com a possibilidade de novas prisões e o aprofundamento das análises sobre os impactos financeiros e políticos decorrentes do caso.