A Manufatura de Brinquedos Estrela S.A. e outras sete empresas que integram o seu grupo econômico protocolaram, nesta quarta-feira (20/5), um pedido de recuperação judicial perante a Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais. O pleito abrange subsidiárias como a Editora Estrela Cultural e a Estrela Distribuidora de Brinquedos. Segundo o fato relevante divulgado ao mercado, a medida visa reestruturar o endividamento corporativo, assegurar a continuidade das atividades operacionais e preservar os postos de trabalho.
A liderança da companhia justificou o requerimento apontando a deterioração do cenário macroeconômico nos últimos anos. Entre os principais “fatores exógenos” (externo) elencados estão a manutenção da taxa de juros em patamares elevados, o aperto nas condições de concessão de crédito e a mudança estrutural nos hábitos de consumo do público infantil, que tem migrado majoritariamente para plataformas de entretenimento digital e jogos online.
Entenda o instituto: A recuperação judicial é um instrumento jurídico previsto na legislação brasileira para evitar a falência de sociedades empresárias em crise financeira temporária. O processo possibilita a suspensão temporária de execuções de dívidas enquanto a administração apresenta um plano de reestruturação detalhado, o qual deve ser submetido à Assembleia Geral de Credores para aprovação, modificação ou rejeição.
De acordo com o rito legal em vigor no país, o corpo diretivo da Estrela permanecerá na gestão das atividades diárias da empresa ao longo do período de blindagem e da posterior elaboração do plano de reorganização. A fabricante informou que manterá o curso regular de suas operações industriais e comerciais durante toda a tramitação do processo.
Trajetória histórica e contenciosos comerciais
Fundada em 1937 com foco inicial na manufatura artesanal de bonecas de pano e carrinhos de madeira, a Estrela consolidou-se como um dos principais nomes da indústria de brinquedos no Brasil. A abertura de seu capital na bolsa de valores ocorreu em 1944. Ao longo de sua história, a empresa nacionalizou e popularizou marcas e jogos de tabuleiro de grande apelo comercial, tais como:
- Banco Imobiliário
- Autorama
- Genius
- Super Massa
- Falcon
- Comandos em Ação
No final da década de 1990, a Estrela encerrou um contrato de licenciamento de cerca de 30 anos com a multinacional norte-americana Mattel para a fabricação da boneca Barbie no território nacional. Como estratégia de resposta para preencher a lacuna mercadológica, a empresa relançou no mercado a boneca Susi, que havia sido descontinuada na década anterior.
No âmbito jurídico, a companhia também protagoniza um longo litígio de propriedade intelectual contra outra gigante do setor, a Hasbro.
A disputa envolve o pagamento de royalties referentes à comercialização de aproximadamente 20 produtos no Brasil, lista que inclui o próprio Banco Imobiliário.
Atualmente, a estrutura da Estrela compreende instalações fabris nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Sergipe, além de manter sua sede administrativa na capital paulista.
Dividas
O montante oficial da lista de credores será anexado ao processo e detalhado publicamente nos próximos passos da tramitação jurídica na Comarca de Três Pontas (MG).
- O Passivo Tributário: Em setembro de 2025, o grupo fechou um grande acordo de transação tributária com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). A Estrela conseguiu renegociar uma dívida fiscal que acumulava R$ 747,9 milhões. Com os descontos obtidos de juros e multas, o valor caiu para R$ 72,4 milhões, parcelados em até 10 anos.
- Outras Dívidas: Como a reestruturação tributária resolveu apenas a pendência com o governo, o pedido de recuperação judicial atual foca no restante do passivo da empresa (como dívidas com bancos, fornecedores e prestadores de serviço), cujo valor exato consolidado deve ser publicado pelo administrador judicial assim que o pedido for aceito pelo juiz.





