Soldados iranianos em frente a quartel general em Teerã. (Reprodução: TV)


A guerra no Irã chega nesta terça-feira ao seu segundo mês sem que os canais diplomáticos vislumbrem um cessar-fogo. O conflito, que já deixou um rastro de pelo menos 3.600 mortos segundo a organização Human Rights Activists, consolidou-se como um fator de instabilidade global. Enquanto o Ministério da Saúde iraniano contabiliza mais de 30.000 feridos, a paralisia política em Washington e a intransigência em Teerã mantêm o Estreito de Ormuz fechado, asfixiando o mercado energético internacional.

O fator energético e a inflação

O bloqueio da principal artéria do petróleo mundial provocou uma escalada de 50% no preço do barril em apenas 60 dias. A manutenção da cotação acima da barreira dos US$ 100 gera uma onda de pressão inflacionária que atinge desde as economias centrais até países emergentes, como o Brasil. O impacto econômico tornou-se a principal arma de pressão do regime iraniano na mesa de negociações.

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Impasse na Casa Branca

O governo de Donald Trump avalia hoje a última contraproposta de Teerã, que condiciona a reabertura de Ormuz ao fim das hostilidades, mas adia o debate sobre o desenvolvimento atômico. A resposta de Washington, contudo, tende ao ceticismo. Fontes da Casa Branca e da agência Reuters indicam que o presidente republicano rejeita qualquer acordo que não inclua o desmantelamento imediato do programa nuclear. “As exigências fundamentais não mudaram: o Irã nunca terá armas nucleares”, reiterou a porta-voz do governo americano.

Fissuras na aliança ocidental

A condução da crise tem provocado atritos inéditos entre os aliados da OTAN. O chanceler alemão, Friedrich Merz, subiu o tom das críticas nesta segunda-feira, classificando a estratégia de Washington como uma “humilhação” perante Teerã.

  • A postura da Europa: França e Alemanha lideram uma coalizão paralela para garantir a segurança da navegação, distanciando-se da retórica mais agressiva dos EUA.
  • O apoio de Moscou: Em contrapartida, Vladimir Putin reforçou seu papel de aliado estratégico do Irã. Após reunir-se com a diplomacia de Teerã, o líder russo prometeu apoio total ao regime, complicando ainda mais o xadrez geopolítico na região.

A ausência de um consenso mínimo sobre o dossiê nuclear sugere que o conflito caminha para uma guerra de atrito, com custos humanos crescentes e uma economia global refém da volatilidade do Golfo Pérsico.