Operação Bazaar: Deic, Fazendária e DPPC são alvo da grande devassa na Polícia Civil de SP. (Foto: MPSP)


O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou denúncia formal contra 23 indivíduos, incluindo agentes da Polícia Civil, sob acusações de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e organização criminosa. A investigação detalha um esquema onde delegacias de polícia operavam como “balcões de negócios”, protegendo traficantes em troca de pagamentos sistemáticos de propina que somam dezenas de milhões de reais.

A denúncia é o ápice da Operação Bazaar, um esforço conjunto entre o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e a Polícia Federal. O foco central da apuração é a movimentação de R$ 30,5 milhões provenientes do tráfico de entorpecentes, ocultados por meio de empresas de fachada e transações financeiras complexas entre 2020 e 2024.

Mecanismo de Corrupção

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De acordo com os promotores, a organização criminosa mantinha uma folha de pagamento informal para policiais civis. Em troca do dinheiro, os agentes forneciam informações privilegiadas sobre operações futuras e obstruíam investigações em andamento.

Em um dos episódios mais graves citados no documento, policiais teriam exigido o pagamento de R$ 5 milhões para encerrar um inquérito que visava as lideranças de uma facção criminosa que atua no estado.

“A estrutura do Estado foi sequestrada por interesses particulares e criminosos”, afirma o texto da denúncia. “Unidades que deveriam servir ao combate ao crime foram transmutadas em centros de negociação ilícita, onde a impunidade era vendida ao preço de milhões.”

A resposta das autoridades

Em nota oficial emitida nesta manhã, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) declarou que a Corregedoria da Polícia Civil está colaborando integralmente com o Ministério Público.

“A instituição não compactua com desvios de conduta”, diz a nota. “Acompanhamos o caso com rigor e tomaremos todas as medidas disciplinares e administrativas, incluindo o afastamento e a demissão dos quadros, caso as acusações sejam confirmadas pelo Judiciário.”

Impacto

O caso ocorre em um momento de crescente pressão sobre a transparência das forças de segurança em São Paulo. Além das sanções penais individuais, o Ministério Público protocolou um pedido de reparação por danos morais coletivos, argumentando que a conduta dos agentes corrói a confiança pública no sistema de justiça.

Dos 23 denunciados, 12 já estão sob custódia preventiva, enquanto os demais respondem em liberdade sob medidas cautelares. Os nomes dos policiais envolvidos estão sob segredo de justiça parcial para preservar o andamento de diligências complementares.

Até o fechamento desta reportagem, as defesas dos principais suspeitos não haviam se manifestado. O espaço permanece aberto para o posicionamento dos advogados de defesa.