O Estreito de Ormuz paralisado e afetando a economia global. (Foto: Reprodução)


O governo do Irã apresentou nesta segunda-feira (27) uma proposta para tentar destravar o estrangulamento econômico e militar que asfixia a região e preocupa as economias globais. Segundo confirmaram fontes diplomáticas em Washington e Islamabad, Teerã enviou uma proposta formal aos Estados Unidos propondo a reabertura imediata do Estreito de Ormuz — a artéria vital por onde transita 20% do petróleo mundial — e o estabelecimento de um cessar-fogo permanente na zona de conflito.

O plano iraniano, no entanto, carrega uma condição que desafia a estratégia da Casa Branca: o “fatiamento” das negociações. O regime dos aiatolás propõe que o fim do bloqueio naval americano e a normalização do tráfego marítimo ocorram de forma independente das discussões sobre o seu programa nuclear, que seriam postergadas para uma fase posterior. Teerã exige, além da retirada das frotas da coalizão liderada pelos EUA, compensações financeiras pelos prejuízos acumulados e um novo marco jurídico para a navegação no golfo.

A resposta inicial de Washington foi de extrema cautela, beirando a rejeição. O presidente Donald Trump, em declarações à imprensa americana, esfriou as expectativas de um encontro bilateral imediato. “Não há motivo para reuniões se o Irã não concordar em abrir mão definitivamente de suas ambições nucleares desde o primeiro dia”, afirmou o mandatário, que cancelou o envio de uma delegação liderada por Jared Kushner ao Paquistão, onde ocorreriam as conversas mediadas.

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Instabilidade nos mercados

A incerteza sobre o sucesso da proposta repercutiu instantaneamente na economia global. O preço do barril de petróleo registrou uma alta superior a 2% nesta manhã, refletindo o temor dos investidores de que o impasse se prolongue. Analistas indicam que, enquanto Washington insistir na política de “pressão máxima” e Teerã tentar ganhar tempo sem ceder no campo nuclear, o Estreito de Ormuz continuará sendo um dos pontos mais voláteis da geopolítica mundial.

A União Europeia, por sua vez, acompanha o movimento com interesse. Fontes em Bruxelas sugerem que a proposta iraniana poderia ser um “ponto de partida” para evitar uma escalada bélica de proporções incalculáveis, embora reconheçam que a falta de confiança mútua entre Trump e a liderança iraniana é hoje o maior obstáculo para qualquer avanço diplomático concreto.