“Se eu consegui fazer o Trump rir, posso conseguir outras coisas também”, disse Lula, ao jornal. “Não dá para simplesmente desistir”, completou. O presidente brasileiro se encontrou com o americano no último dia 7, na Casa Branca.
Na entrevista, Lula falou também sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã, e reafirmou sua posição. “Trump sabe que sou contra a guerra com o Irã, discordo da intervenção dele na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina”, disse. No entanto, ponderou que as divergências políticas com o americano não interferem na relação com ele como chefe de Estado. “O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que eu sou o presidente democraticamente eleito aqui.”
Lula afirmou que entregou a Trump uma cópia do acordo nuclear de 2010 que Brasil e Turquia negociaram com o Irã, documento que foi rejeitado pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Trump disse que leria o documento, segundo Lula, e o brasileiro se ofereceu para ajudar a facilitar o diálogo, mas eles não discutiram passos adicionais. A intenção de Lula, segundo a entrevista, era mostrar a Trump que “não é verdade que o Irã esteja novamente tentando construir uma bomba atômica”.
O presidente brasileiro ainda disse que não está tentando criar uma divisão entre Trump e Bolsonaro, mas vê o estreitamento das relações com o republicano como uma espécie de força para neutralizar ações da família Bolsonaro sobre o País no exterior. A entrevista lembra que Eduardo Bolsonaro, segundo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mudou-se para os Estados Unidos no ano passado para convencer Trump de que seu pai estava sendo perseguido.
“Eu nunca pediria ao Trump para não gostar do Bolsonaro. Isso é problema dele”, disse Lula. “Eu não preciso fazer esforço nenhum para ele saber que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso.”




