O Banco Central informou ao Tribunal de Contas da União que acionou o Ministério Público Federal diante de indícios de fraudes em operações entre o Banco Master e a gestora Reag, investigada por elo com a organização criminosa PCC. Segundo relatório enviado ao TCU, transações com sinais de irregularidade alcançam R$ 11,5 bilhões, realizadas principalmente entre julho de 2023 e julho de 2024. O BC sustenta que as evidências e falhas graves de gestão e controle justificaram a liquidação extrajudicial do Master e a comunicação imediata ao MPF.
Principais pontos da investigação
- Montante suspeito: R$ 11,5 bilhões em operações com indícios de fraude.
- Agentes envolvidos: Banco Master e fundos/veículos da Reag.
- Medidas adotadas: Liquidação extrajudicial do Banco Master e comunicação ao MPF.
- Motivos apontados pelo BC: Falhas estruturais de capital, risco e governança; operações com sinais de circularidade e maquiagem de balanço; relacionamento com gestora investigada por elo com o PCC.
- Abrangência temporal: Predominantemente entre julho de 2023 e julho de 2024.
O que diz o relatório do BC ao TCU
- Indícios de fraude: O BC descreve “operações com forte sinalização de irregularidades”, incluindo transações entre partes relacionadas, reprecificações atípicas e estruturas que teriam ocultado perdas ou insuficiências de capital.
- Risco sistêmico: A autoridade monetária afirma que a continuidade das práticas observadas colocava em risco a higidez do sistema financeiro, justificando a medida extrema de liquidação.
- Ação institucional: “Diante de indícios robustos, o Banco Central comunicou o Ministério Público Federal e disponibilizou os elementos para aprofundamento investigativo”, diz trecho do documento.
- Relação com a Reag: O BC destaca que a Reag estava sob investigação por possível ligação com o PCC, elevando o nível de risco das operações e exigindo “tratamento prudencial reforçado”.
Desdobramentos e contexto
- Liquidação do Master: A decisão, segundo o BC, decorre de “falhas graves” na gestão de risco e capital, aliadas a operações suspeitas que inflaram artificialmente a posição do banco.
- Impacto regulatório: O caso expõe fragilidades de supervisão e tensiona a coordenação entre BC, TCU e Judiciário, em meio a debates sobre autonomia técnica e limites de intervenção.
- Linha do tempo:• Julho/2023–Julho/2024: concentração das operações suspeitas.
- 2025: aprofundamento da supervisão, envio de relatório ao TCU e acionamento do MPF; decisão de liquidação do Master.
Declarações e posições
- Banco Central: “As evidências reunidas são consistentes com práticas incompatíveis com a regulação prudencial, razão pela qual adotamos medidas imediatas e informamos o MPF.”
- TCU: O tribunal recebeu o relatório técnico, que embasa o acompanhamento das ações de supervisão e a avaliação de eventuais responsabilidades administrativas.
- Ministério Público Federal: Foi oficialmente acionado para análise dos indícios e eventual abertura de procedimentos criminais ou cíveis.
- Reag e Master: As empresas são apontadas no relatório por sua participação nas operações suspeitas; a Reag figura em investigação paralela por possível elo com o PCC.
Por que isso importa
- Proteção ao depositante e à poupança pública: Indícios de fraude em escala bilionária afetam confiança, liquidez e estabilidade.
- Sinalização de enforcement: O acionamento do MPF e a liquidação extrajudicial indicam tolerância zero para engenharia financeira que mascare riscos.
- Agenda de supervisão: O caso deve acelerar aprimoramentos na regulação de partes relacionadas, marcação de ativos e transparência de fundos.
Reag é investigada por suposta ligação com o PCC em esquema bilionário de lavagem de dinheiro
A Reag Investimentos, uma das maiores gestoras independentes de recursos do país, está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação, batizada de Carbono Oculto, foi deflagrada em agosto de 2025 e mira um suposto conluio entre empresas do setor financeiro e organizações criminosas.
Segundo relatório do Banco Central, a Reag teria movimentado, junto ao Banco Master, cerca de R$ 11,5 bilhões em transações suspeitas. Os recursos teriam origem em atividades ilícitas, como o tráfico de drogas e fraudes no setor de combustíveis. A suspeita é de que fundos de investimento e fintechs tenham sido usados para ocultar a origem do dinheiro e dificultar o rastreamento pelas autoridades.
A operação contou com mais de 350 alvos, incluindo mandados de busca, apreensão e prisão em diversos estados. O Ministério Público Federal estima que o grupo criminoso tenha deixado de pagar R$ 7,6 bilhões em impostos, além de movimentar valores bilionários por meio de operações financeiras estruturadas.
Em nota, a Reag afirmou que colabora com as investigações e que repudia qualquer associação com atividades ilícitas. A empresa segue em funcionamento e não teve suas atividades suspensas até o momento. O Banco Central, por sua vez, classificou as falhas identificadas como “graves” e encaminhou o caso às autoridades competentes.
A investigação ainda está em curso. A Polícia Federal busca identificar a extensão da participação da Reag e de outras instituições financeiras no esquema, que pode configurar um dos maiores casos de lavagem de dinheiro da história recente do país.





