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Alumínio brasileiro emite 3,5 vezes menos que a média global

ABAL estrutura agenda de descarbonização e consolida o país como referência mundial na transição para a economia de baixo carbono

Alumínio brasileiro emite 3,5 vezes menos que a média global

Alumínio brasileiro emite 3,5 vezes menos que a média global.

da Redação

03 junho 2026

Enquanto o mundo busca caminhos para descarbonizar a indústria, o alumínio brasileiro já apresenta resultados concretos. Com emissões 3,5 vezes abaixo da média global, altos índices de reciclagem e uma trajetória de redução das emissões próprias que supera o ritmo mundial, o setor colhe os frutos de investimentos consistentes na descarbonização de seus processos produtivos.

Alinhado às principais políticas climáticas nacionais e internacionais e detentor de certificações reconhecidas globalmente, o alumínio brasileiro tem na sustentabilidade um pilar estrutural. É sobre essa base que o setor constrói uma agenda abrangente, consolidando o Brasil como referência na transição para uma economia de baixo carbono.

Políticas públicas: o alumínio no centro da agenda climática nacional
O setor tem participado ativamente da construção das principais políticas climáticas nacionais, como o Plano Clima e a Estratégia Nacional de Descarbonização da Indústria (ENDI), contribuindo para conciliar as diretrizes, metas e ações dessas iniciativas com a realidade da indústria energointensiva. Também é um dos setores escolhidos para compor a Taxonomia Sustentável, por atender a critérios estabelecidos pela política, tais como parâmetros de emissões, seu alto grau de reciclabilidade e a relevância do alumínio como componente de equipamentos necessários à transição energética, como painéis solares, fios e cabos, turbinas e baterias.

No Programa Selo Verde Brasil (MDIC), as chapas laminadas de alumínio foram selecionadas como produto-piloto da certificação nacional de sustentabilidade, reforçando o protagonismo do setor na construção de iniciativas de sustentabilidade industrial, bem como seu alinhamento com as principais certificações internacionais.

Mercado de carbono e financiamento: regulatório e capital alinhados
Uma das agendas prioritárias do setor é apoiar o processo de regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Nessa primeira fase, o governo tem como foco estabelecer o processo de relato de emissões do SBCE, visando identificar o grau de maturidade dos setores em relatar suas emissões, quais são as principais metodologias utilizadas, além de obter um panorama das emissões, especialmente dos setores energointensivos.

Nesse sentido, a ABAL tem participado de workshops específicos sobre a cadeia do alumínio, junto com outros setores energointensivos, bem como de visitas técnicas com os representantes do governo, com o objetivo de proporcionar maior conhecimento sobre o processo produtivo do setor, bem como sobre seus desafios, oportunidades e avanços na agenda de descarbonização.

Nessas ocasiões também foi possível evidenciar como a indústria do alumínio tem investido na descarbonização de sua cadeia produtiva e alcançado um elevado grau de maturidade na realização de mecanismos de monitoramento, relato e verificação de suas emissões de gases de efeito estufa, em alinhamento com as principais metodologias e iniciativas internacionais aplicadas ao setor, como o GHG Protocol, as normas ISO e a Aluminium Stewardship Initiative (ASI).

Reconhecendo que a descarbonização requer investimentos significativos, a ABAL tem se articulado com diferentes instituições nacionais e internacionais para identificar oportunidades e mapear linhas de financiamento aderentes ao perfil da indústria, com foco em projetos de descarbonização, fortalecimento do conteúdo local e reciclagem.

Para Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL, “o Brasil reúne atributos que o colocam em posição de destaque na transição para uma economia de baixo carbono, como uma matriz elétrica predominantemente renovável, elevados índices de reciclagem e uma indústria engajada na agenda de descarbonização. Esse contexto torna o alumínio brasileiro um ativo estratégico para uma economia mais sustentável e competitiva. A descarbonização industrial, portanto, não deve ser vista apenas como um desafio ambiental, mas também como uma importante oportunidade de desenvolvimento econômico para o país.”

Inventário de emissões e reciclagem: base técnica e rota estratégica
O Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa elaborado pela ABAL mostra que a produção brasileira de alumínio primário opera com cerca de 3 tCO₂e/t (toneladas de dióxido de carbono equivalente por tonelada de metal produzido) — cerca de 3,5 vezes abaixo da média global de 11 tCO₂e/t. Entre 2019 e 2024, o Brasil reduziu em 27% suas emissões específicas, ante 13% da média mundial. Com tecnologias como eletrificação industrial, substituição de combustíveis fósseis e captura de carbono, o setor avalia que há espaço para uma potencial redução das emissões totais até 2050, mediante a adoção de tecnologias como eletrificação industrial, substituição de combustíveis fósseis e captura de carbono.

A reciclagem é ao mesmo tempo uma das estratégias mais efetivas e de menor custo para a descarbonização e um ativo estratégico de suprimento. Atualmente, 60% do alumínio consumido no país já vem da reciclagem. Além disso, o alumínio reciclado consome 95% menos energia que o metal primário e o Brasil mantém índice de reciclagem de latas de alumínio para bebidas acima de 96% há mais de 15 anos, reforçando a segurança de suprimento e a competitividade global com menor pegada de carbono.

Além de reduzir emissões, a economia circular fortalece a segurança de suprimento de matéria-prima e reduz a dependência de recursos naturais — tornando o modelo brasileiro não apenas ambientalmente superior, mas estrategicamente resiliente.

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