da Redação
03 junho 2026
No próximo dia 6 de junho, sábado, o Museu da Santa Casa de São Paulo realiza o evento “Museu Sustentável”. A iniciativa é uma parceria com voluntários das áreas de cultura, mobilidade urbana, acessibilidade e bem-estar. A programação gratuita convida o público a vivenciar o centro da cidade por meio da memória, da arte, do design e de experiências de mobilidade ativa.
Em diálogo com a Semana do Meio Ambiente, o evento propõe refletir sobre sustentabilidade também como preservação da memória, ocupação consciente dos espaços urbanos e fortalecimento do pertencimento à cidade.
O ponto de encontro é a partir das 8h30 no Museu da Santa Casa. Às 9h, uma visita guiada será conduzida por Barbara Xavier, museóloga graduada pela UFPA e analista na Santa Casa desde 2022. E por Maria Florismar, que trabalha na instituição desde 2016 e cursa o técnico em Museologia na ETEC Parque da Juventude. A visita guiada propõe aproximar o público da memória institucional e da história da cidade.
“Acho que o museu tem um papel muito importante na preservação da nossa memória coletiva. Quando a gente conhece a história de um lugar, também aprende a pensar sobre cuidado, permanência e futuro”, afirma Barbara.

A proposta do evento parte da ideia de que preservar a memória também é uma prática de sustentabilidade cultural e social. Para Maria, é uma oportunidade de engajar novos públicos ao acervo. “O Museu da Santa Casa é fundamental porque ele zela não apenas a memória da instituição, mas a própria história da cidade e da evolução da medicina no Brasil. Conecta o patrimônio a três pilares, o resgate da história, a evolução da medicina e a educação e cultura. Nós temos um acervo riquíssimo, são mais de 7 mil peças. E nós temos uma pinacoteca, com grandes doadores, pintores renomados”, revela.
A ideia de trazer os voluntários para somar na atividade é da jornalista Denise Silveira, formada pela PUC-RS, e cursando pós-graduação em ESG, Liderança e Inovação na FAAP. A articulação entre patrimônio histórico, mobilidade ativa e consciência ambiental motivou a criação da iniciativa.
“Tudo está conectado, a sustentabilidade e a memória são fundamentais para construirmos o nosso futuro enquanto Humanidade. Conheci o museu quando fiz uma pesquisa para um documentário médico ainda inédito e fiquei muito impressionada, nunca tinha visitado e o local é pouco divulgado. Por isso, trouxe outros ativistas comigo”, conta Denise.
Para incentivar a acessibilidade da visita guiada, junta-se ao grupo Tadeu Almeida, tradutor e intérprete de Libras, pós-graduado pelo Instituto Federal de Santa Catarina. A acessibilidade também aparece como eixo fundamental da proposta, ampliando o acesso à cultura e à memória coletiva.
“A Libras tem importância para o acesso das informações para as pessoas surdas e sinalizantes, levando a memória além das barreiras linguísticas e assim dando poder argumentativo e sustentável”, explica Tadeu.
Após a visita ao museu, a programação se desloca para o espaço urbano, conectando patrimônio histórico, bem-estar e ocupação da cidade. Às 10h, os visitantes poderão escolher dois grupos, um de caminhada e um de pedalada pelos arredores e Minhocão.
A caminhada será guiada pela jornalista e designer de interiores Hebe Arruda. Hebe criou o estúdio Janela Design Integrativo, é especializada em Design Salutogênico, Design Biofílico e Saúde Mental. Membro do NENPS, Núcleo de Estudos em Neuroarquitetura e Projetos Sociais, do NeuroAU. Formada pelo Senac e Certificada pelo HBC, Healthy Building Certificate, e Selo Home in Hertz, membro da comunidade internacional Moving Boundaries. Hebe Arruda abordará temas relacionados à cidade saudável, bem-estar urbano e ocupação afetiva dos espaços públicos.
“O resgate da memória local é mais do que preservar patrimônio. É criar vínculo com o espaço urbano. É colocar em prática algo de que todo mundo fala: pertencimento. Se eu pertenço a uma cidade, ela me representa. Se a cidade me pertence, eu cuido dela”, destaca Hebe.
A mobilidade ativa surge como continuação desse olhar mais humano e sustentável sobre a cidade, principalmente sob o olhar feminino. Também às 10h, acontece um passeio de bicicleta guiado por Denise Silveira, com apoio de ativistas de peso quando o assunto é mobilidade. O objetivo é incentivar e acolher também quem tem medo de pedalar na cidade e precisa daquele empurrãozinho.
Pedalar e ouvir diferentes experiências pode ajudar.
Lilian Frazão é editora, publicitária e cicloviajante. É co-fundadora do Pedal Voluntário, que tem 13 anos de existência, e fundadora da startup Quero Pedalar. Através de cicloviagens e eventos pelo Brasil e Exterior, inspira mulheres a pedalar e incentiva empresas a adotarem a bicicleta como mobilidade ativa, promovendo a saúde dos colaboradores e a melhoria da cidade.
“A bicicleta transformou minha forma de enxergar o mundo. Hoje, ela é minha ferramenta de conexão entre pessoas, cidades e causas, promovendo mobilidade ativa, saúde, impacto social e a certeza de que pequenas ações podem gerar grandes mudanças”, comenta Lilian.
A bicicleta aparece, ao longo da programação, como instrumento de transformação social, saúde e conexão com o território urbano. Luana Souza é doutora em Letras pela USP e professora de francês.
Ativista do Giro Preto, grupo de pedal exclusivo para pessoas pretas, começou a pedalar na cidade em 2023 quando conheceu o extinto programa Pedala Sampa, da Prefeitura de São Paulo. Durante bastante tempo usou a bicicleta apenas para passear aos fins de semana e hoje vai cada vez mais longe.
“Eu sou uma apaixonada por bicicleta e defensora de uma cidade mais acessível para ciclistas e pedestres. O tempo da bicicleta é outro, é diferente dos carros. A relação com a cidade também é outra, porque eu pedalo para viver a cidade, não apenas para atravessá-la”, pontua Luana.
A experiência de viver a cidade em outro ritmo também atravessa a proposta do evento. Beatriz Gomes da Silva é entregadora de bicicleta, faz parte do grupo Pedale-se, que promove o cicloturismo em São Miguel Paulista e região, e cursa Bacharelado em Administração IFSP Campus Jacareí. “A bicicleta para mim é a forma que desde pequena eu uso para relaxar, ter um momento de lazer e depois veio para me libertar financeiramente, fazendo entregas e ganhando saúde. A sustentabilidade vem atrelada a não emissão de poluentes quando eu saio para trabalhar e também nos momentos de lazer”, revela Beatriz.
O evento encerra a programação às 11h, reforçando a sustentabilidade como prática cotidiana, ligada à mobilidade, ao trabalho, à saúde e à relação das pessoas – e das mulheres – com a cidade.
Serviço:
Evento: Museu Sustentável
Data: 6 de junho
Horário: A partir das 8h30
Local: Museu da Santa Casa de São Paulo, Rua Dr. Cesário Mota Júnior, nº 112, próximo à estação de metrô Santa Cecília. Há estacionamento pago no local. De bike: traga sua trava e pode prender grátis no espaço compartilhado com motos.
Programação:
8h30: Encontro no Museu da Santa Casa.
9h: Visita guiada com equipe do Museu da Santa Casa e intérprete de Libras voluntário Tadeu Almeida.
10h: Caminhada pelo entorno e Minhocão com Hebe Arruda.
10h: Passeio de bike pelo entorno e Minhocão com Denise Silveira, Lilian Frazão, Luana Souza e Beatriz Gomes da Silva.
Distância prevista para Caminhada e Pedalada: 3,5 km
Evento gratuito.
Não é preciso se inscrever.
Capacidade máxima do museu: 40 pessoas
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