da Redação
06 junho 2026
O ex-chanceler do Brasil Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula, viu gesto inédito dos EUA após Marco Rubio excluir Brasil de lista de aliados.
Ex-ministro das Relações Exteriores e um dos principais conselheiros do presidente Lula para política externa, Amorim classificou a fala como “inédita” nos mais de 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países.
Amorim afirmou que nem mesmo nos momentos mais tensos da relação bilateral houve uma manifestação semelhante por parte da diplomacia norte-americana.
“Declaração inédita” na história diplomática
Ao comentar a fala de Rubio, Amorim fez referência ao período que antecedeu o golpe militar de 1964 no Brasil, quando documentos históricos apontam apoio de autoridades norte-americanas à derrubada do presidente João Goulart.
“A declaração de Rubio é inédita. Nem quando o Dean Rusk [secretário de Estado dos EUA entre 1961 e 1969] e o Lincoln Gordon [embaixador dos EUA no Brasil entre 1961 e 1966] estavam conspirando para derrubar o presidente João Goulart, um secretário de Estado excluiu o Brasil da lista de países amigos”, afirmou Amorim.
O assessor de Lula também demonstrou preocupação com os possíveis desdobramentos políticos e diplomáticos da declaração. “É uma declaração impressionante e preocupante. Precisamos ver o que ocorrerá a partir disso, mas nem quando havia conspiração essa situação foi formalizada”, acrescentou.
O que disse Marco Rubio
A controvérsia surgiu durante uma audiência no Senado dos Estados Unidos. Ao defender a política externa do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Rubio afirmou que a América Latina vive um momento de aproximação com Washington e que a maior parte dos governos da região é favorável aos interesses norte-americanos.
Em seguida, porém, excluiu alguns países desse grupo:
“Com exceção da Nicarágua, de Cuba, obviamente da Venezuela, que ainda enfrenta alguns desafios, e do Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em certa medida, também do atual governo da Colômbia (…), trata-se agora de uma região repleta de aliados dos EUA”, declarou Rubio.
A inclusão do Brasil ao lado de países historicamente criticados por Washington foi interpretada por integrantes do governo brasileiro como um sinal de deterioração das relações bilaterais.
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