da Redação
06 junho 2026
Apple aposta em nova Siri para disputar corrida da IA.
A Apple se prepara para anunciar, em sua conferência anual de desenvolvedores, uma reformulação profunda da Siri com o objetivo de transformá-la em um assistente virtual competitivo. O plano consiste em abandonar o modelo atual — limitado a funções básicas como definição de cronômetros — e lançar uma versão baseada na tecnologia Gemini, do Google. A expectativa é que a nova Siri funcione como um agente capaz de memorizar consultas anteriores e acessar dados dos dispositivos para personalizar respostas. O projeto prevê ainda o lançamento de um aplicativo independente mediante assinatura paga.
Apesar de estar anos atrás de concorrentes como a OpenAI e a Anthropic, a empresa aposta no domínio global do iPhone para massificar a inteligência artificial (IA) generativa.
Atualmente, o ecossistema da Apple gera dezenas de bilhões de dólares anuais em taxas de aplicativos e contratos de exclusividade, como o mantido com o Google para ser o buscador padrão do Safari. A nova Siri deve funcionar como mais um pedágio digital nesse mercado.
“Eu acho que a Apple vai vencer na IA”, afirmou Ron Johnson, ex-chefe de varejo da Apple sob o comando de Steve Jobs. “O telefone é o principal dispositivo no qual as pessoas usarão a IA. E a Apple está fazendo parcerias com as pessoas certas para trazer uma experiência de IA única para o telefone.”
O futuro dos assistentes
Especialistas apontam que os smartphones atuarão como secretários sofisticados, capazes de reservar restaurantes por meio do acesso ao calendário e restrições alimentares do usuário, ou de chamar veículos autônomos sem intermediação de aplicativos tradicionais. Em relatório enviado a investidores, Wamsi Mohan, analista do Bank of America, argumentou que a Apple pode se transformar no principal mercado para esses serviços: se empresas de transporte como a Uber quiserem ser acionadas pela Siri, terão de pagar taxas elevadas à fabricante.
Diante desse cenário, a OpenAI buscou caminhos independentes e uniu-se ao designer Jony Ive, ex-Apple, para criar um dispositivo próprio de IA, além de ter lançado sua própria loja de aplicativos no ano passado. Contudo, a iniciativa não ganhou tração e o mercado considera improvável que a startup consiga convencer os consumidores a substituírem o iPhone.
Histórico de promessas e barreiras técnicas
A promessa de uma Siri inteligente não é inédita. Há dois anos, a Apple garantiu que o sistema interagiria com mensagens e compreenderia o contexto da tela do usuário. O não cumprimento dos recursos resultou em uma ação coletiva resolvida judicialmente.
“O desafio que está claramente diante da Apple é sua capacidade de transformar suas capacidades de Apple Intelligence em um produto ou serviço que as pessoas realmente usem”, avaliou o analista Craig Moffett, da Moffett Nathanson, em nota a investidores.
A situação carrega uma ironia histórica. Quando a Siri surgiu como um aplicativo independente há 16 anos, sua proposta original era justamente funcionar como um agente de tarefas. Após a aquisição, a Apple não conseguiu executar o projeto e, após anos de tentativas frustradas de modernização, precisou recorrer à tecnologia do Google. O impasse culminou, no ano passado, na demissão do chefe do departamento de IA da companhia.
Para consolidar a nova estratégia, a Apple precisará superar obstáculos internos e comerciais. A política rígida de privacidade da empresa, embora garanta a confiança do consumidor, limita o acesso dos engenheiros aos dados necessários para o treinamento dos modelos de IA. Adicionalmente, o processamento local (on-device) exigirá maior capacidade de memória nos aparelhos, insumo que enfrenta forte escalada de preços devido ao monopólio de compra exercido por fabricantes de chips como a Nvidia.
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