da Redação
17 junho 2026
O ex-chefe de cozinha que trabalhou na mansão de Daniel Vorcaro, banqueiro e dono do Banco Master, em Angra dos Reis (RJ), relatou à Polícia Federal que foi alvo de intimidação dois meses após deixar o emprego.
O depoimento, revelado em documentos liberados pelo ministro André Mendonça, do STF, descreve uma abordagem em tom de ameaça.
Segundo o cozinheiro, em 2024 ele foi surpreendido no novo local de trabalho, um hotel da região. “Uma garçonete me chamou e disse que queriam falar comigo. Eu não tinha visto a quantidade de pessoas que estavam me esperando, umas sete”, contou. Um dos homens, identificado como Emanuel ou Manuel, teria dito que agia “a mando do seu Daniel” e queria saber se o ex-funcionário guardava fotos ou vídeos do banqueiro e da esposa.
O grupo incluía Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. O cozinheiro relatou que negou possuir qualquer registro e ouviu que seus dados já haviam sido levantados. “Ele disse que não queria ter de voltar para atrapalhar”, afirmou, descrevendo a situação como intimidadora.
Medo constante
O ex-chefe trabalhou na casa de Vorcaro entre setembro de 2021 e março de 2024. Ele contou que todos os contatos eram intermediados por um mordomo e que havia proibição de registros com celular. “Tinham muito medo de a gente tirar foto de alguma coisa, mas onde eu ficava só tinha meus pratos mesmo. Eu servia o café da manhã às 6h e depois cozinhava todas as refeições até o jantar”, disse.
O cozinheiro também mencionou outro funcionário supostamente ameaçado: o comandante de uma embarcação de Vorcaro, que teria declarado possuir filmagens e diário de bordo sobre irregularidades.
“Foram atrás dele e depois de mim, que era ligado a ele”, relatou.
Relações políticas
Os documentos da PF apontam ainda que Vorcaro financiou viagens internacionais do senador Ciro Nogueira (PP-PI), incluindo destinos como Nova York, Paris e Courchevel, além de diárias em hotel de luxo em Lisboa para o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). O valor das despesas teria chegado a quase R$ 500 mil.
De acordo com os investigadores, Vorcaro recebia apoio político em troca de vantagens financeiras. O banqueiro está preso em Brasília.
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