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Petroleiros do Irã cruzam Ormuz após acordo com os EUA

G7 celebra avanço diplomático e vê travessia iraniana como sinal de normalização no Oriente Médio

da Redação

17 junho 2026

Petroleiros do Irã cruzam Ormuz após acordo com os EUA

Os primeiros petroleiros iranianos atravessaram a área sob restrições navais impostas pelos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (17) pelo site de rastreamento marítimo TankerTrackers.

O movimento ocorre dois dias antes da assinatura de um acordo para encerrar o conflito entre EUA e Irã. Em Évian, na França, líderes do G7 divulgaram uma declaração conjunta saudando o entendimento entre Washington e Teerã.

Três petroleiros cruzam bloqueio

Três petroleiros iranianos cruzaram o perímetro do bloqueio americano aos portos iranianos. Os dois primeiros navios transportavam um total de 3,8 milhões de barris. Estas são as primeiras exportações de petróleo bruto do Irã em dois meses.

Na terça-feira, Teerã havia afirmado que o bloqueio americano, imposto em meados de abril em resposta ao controle iraniano do Estreito de Ormuz, havia sido suspenso, embora Washington não tenha confirmado a informação.

O dispositivo americano, criado durante a escalada das tensões entre os dois países, previa a interceptação e fiscalização de embarcações ligadas ao comércio iraniano, afetando especialmente as exportações de petróleo. A passagem dos navios é vista como um dos primeiros sinais concretos de normalização do tráfego marítimo na região e antecede negociações sobre temas sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano e o regime de sanções imposto por Washington.

G7 saúda acordo

Na declaração divulgada em Évian, nos Alpes franceses, os chefes de Estado e de governo do G7 afirmaram que o acordo representa uma “oportunidade histórica” para impedir que o Irã obtenha armas nucleares e para enfrentar ameaças associadas às suas atividades regionais e ao desenvolvimento de mísseis balísticos.

Os países do grupo declararam apoio à implementação do acordo e manifestaram disposição para contribuir com sua execução. Ao mesmo tempo, ressaltaram a necessidade de um entendimento diplomático mais amplo, capaz de garantir estabilidade, paz e segurança duradouras no Oriente Médio.

Segundo o texto, as futuras negociações deverão considerar preocupações de segurança dos países da região e assegurar que o Irã jamais desenvolva armamento nuclear.

A declaração também destaca o papel da iniciativa multinacional liderada por França e Reino Unido para restaurar a segurança da navegação no Estreito de Ormuz. O mecanismo prevê proteção a embarcações comerciais, apoio a operadores marítimos e verificação da retirada de minas na região.

Líbano

Os líderes do G7 defenderam um cessar-fogo sólido e imediato no Líbano, apoiando esforços das autoridades locais para avançar no desarmamento do Hezbollah e consolidar o monopólio estatal sobre as armas, com garantias internacionais de segurança.

Apesar do anúncio de um acordo na segunda-feira, ataques aéreos israelenses continuaram a atingir o sul do Líbano nesta quarta-feira, inclusive na região de Nabatieh. A ofensiva contra o Hezbollah, grupo pró-Irã, perdeu intensidade nos últimos dias, mas deixou pelo menos cinco mortos.

O Exército libanês recomendou que moradores que haviam começado a retornar às casas aguardem antes de voltar. Em paralelo, o Exército iraniano ameaçou com uma “resposta severa” caso Israel não cesse o que chama de “agressões”.

Em Évian, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o acordo entre Estados Unidos e Irã pode “mudar verdadeiramente o jogo” não apenas no Oriente Médio, mas também em outras frentes diplomáticas.

Segundo ele, as discussões realizadas durante a cúpula apontaram para uma nova dinâmica em temas como Ucrânia e Líbano. O premiê destacou uma mudança de postura de Washington em relação à Rússia, incluindo expectativas mais realistas sobre a evolução dos conflitos e disposição crescente para ampliar a pressão econômica sobre Moscou.

Ele acrescentou que os líderes do G7 mantiveram discussões detalhadas sobre os próximos passos para a estabilização do Líbano.

Ucrânia

A guerra na Ucrânia também esteve entre os principais temas da cúpula. Após encontro com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou estar disposto a restabelecer sanções contra as exportações de petróleo da Rússia.

Segundo Trump, a medida se tornou mais viável devido à queda recente dos preços internacionais do petróleo. “Agora podemos fazer isso porque há petróleo suficiente no mercado”, declarou o presidente americano, acrescentando que Washington poderá reintroduzir novas sanções em breve, embora sem apresentar cronograma ou detalhar quais medidas seriam adotadas.

Os Estados Unidos haviam flexibilizado parte das restrições ao petróleo russo desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, para evitar uma escalada ainda maior nos preços globais da energia durante o período de tensão envolvendo o Irã.

Inteligência artificial entra na pauta

No último dia do encontro em Évian, os líderes do G7 participam de um almoço de trabalho sobre inteligência artificial e proteção de menores no ambiente digital, com a presença de 12 CEOs de grandes empresas de tecnologia e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre os pontos discutidos está a proteção de menores no ambiente digital. Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido demonstraram alinhamento em torno da proposta de restringir o acesso de adolescentes menores de 15 ou 16 anos às redes sociais. Uma declaração conjunta sobre o tema deverá ser divulgada pelo grupo.

A discussão reflete a crescente preocupação das democracias industrializadas com os impactos da inteligência artificial e das plataformas digitais sobre segurança, privacidade e desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Jantar em Versalhes encerra agenda

Embora a cúpula do G7 termine oficialmente nesta quarta-feira, Emmanuel Macron e Donald Trump ainda terão um último compromisso de destaque. Os dois presidentes participarão de uma recepção de gala no Palácio de Versalhes para celebrar os 250 anos da independência dos Estados Unidos.

O local foi escolhido por seu simbolismo histórico: foi em Versalhes que se assinou o tratado que consolidou a independência americana. A cerimônia, descrita por autoridades francesas como uma recepção de grande porte, servirá como encerramento informal de uma cúpula marcada por avanços diplomáticos envolvendo o Irã, discussões sobre a Ucrânia e fortalecimento da cooperação entre os países do G7 em temas de segurança e tecnologia.

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