da Redação
17 junho 2026
As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master expõem um método de aproximação de autoridades que mistura luxo, poder e garotas de programa.
Em abril de 2024, o banqueiro Daniel Vorcaro enviou mensagem a seu operador Leo Serrano Giunchetti pedindo um “avião para as kengas”, referência depreciativa às garotas de programa que seriam levadas a um encontro.
O pedido foi feito logo após tratar de um voo com políticos, revelando a sobreposição entre negócios e festas privadas.
Desde 2023, os jatinhos de Vorcaro pousaram 44 vezes em Brasília, sinal da frequência com que o banqueiro circulava nos bastidores da política.
A PF apura se encontros com prostitutas eram usados como estratégia para criar vínculos com parlamentares e magistrados.
Em fevereiro de 2024, o Ministério Público junto ao TCU já havia solicitado investigação sobre festas promovidas por Vorcaro em Trancoso (BA).
Mensagens da proprietária de uma casa alugada pelo banqueiro mostram reclamações sobre excesso de convidados e presença de prostitutas, reforçando o padrão de eventos voltados a impressionar e seduzir autoridades.
O caso ganhou dimensão internacional em maio de 2023, quando Vorcaro pagou uma conta de US$ 13 mil no restaurante Nusr-Et, em Nova York.
Na ocasião, jantava o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e, em mesa vizinha, o então governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União).
Embora Mendes afirme ter arcado com suas próprias despesas, a coincidência chama atenção: no mesmo dia, ele assinou decreto que regulamentava o cartão consignado benefício para servidores e pensionistas do estado.
Menos de três semanas depois, o governo mato-grossense credenciou o Banco Master e empresas ligadas ao mesmo grupo para operar o serviço.
Entre elas, a Capital Consig, alvo de investigação do Ministério Público estadual por suspeita de práticas abusivas.
Outra, a fintech Cartos, é apontada como instrumento para ocultar transações bilionárias, funcionando como uma “caixa-preta” que dificultava o rastreamento de operações.
O escritório AFG & Taques, que representa sindicatos de servidores, denuncia que Capital Consig, Cartos e ClickBank atuavam como satélites do Master: geravam carteiras de crédito que eram absorvidas pela instituição de Vorcaro. Em depoimento à CPI do
Crime Organizado, o ex-senador Pedro Taques reforçou que essas empresas operavam de forma interligada, ampliando o alcance do banco e mascarando operações financeiras.
As mensagens interceptadas pela PF, somadas às denúncias de sindicatos e às movimentações financeiras, compõem um mosaico de práticas que vão além da gestão bancária.
O uso de festas com prostitutas, jantares luxuosos e convênios públicos sugere uma rede de influência construída para garantir vantagens ao Banco Master.
O escândalo, que já envolve governadores, parlamentares e magistrados, expõe a fragilidade dos mecanismos de controle e a facilidade com que interesses privados se infiltram em decisões públicas.
A PF e o Ministério Público buscam agora identificar até que ponto autoridades participaram ou se beneficiaram do esquema.
Vorcaro, que chegou a propor delação premiada, citou pagamento de propina a governos estaduais como parte da expansão do Master. A investigação segue em curso, mas os elementos já revelados indicam que o caso pode se tornar um dos maiores escândalos financeiros e políticos da década.
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