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Onça-pintada está à beira do desaparecimento na Mata Atlântica

Felino ocupa só 2,8% do bioma; restam 300 indivíduos e presença humana reduz presas essenciais

da Redação

07 junho 2026

Onça-pintada está à beira do desaparecimento na Mata Atlântica

Onça-pintada está à beira do desaparecimento na Mata Atlântica.

A sobrevivência da onça-pintada, maior felino das Américas, está em risco na Mata Atlântica. Um estudo inédito conduzido por pesquisadores brasileiros e publicado na revista Global Ecology and Conservation revelou que a escassez de presas ameaça diretamente a espécie, mesmo em áreas oficialmente protegidas.

Os dados mostram que unidades de conservação da Serra do Mar apresentam índice de biomassa de presas de apenas 8,2 quilos, sustentando populações reduzidas, com no máximo 50 indivíduos. Em contraste, o corredor do Parque Nacional do Iguaçu, que conecta o Paraná à Argentina, concentra maior abundância de presas — 638 quilos de biomassa — e uma população estimada em 93 onças, das quais 25 registradas dentro do parque. A correlação entre disponibilidade de alimento e densidade populacional é clara.

Hoje, restam cerca de 300 onças-pintadas na Mata Atlântica, ocupando apenas 2,8% da área original do bioma. “Na maioria das áreas estudadas, a quantidade de alimento estava muito baixa”, afirmou Roberta Paolino, professora da USP e coautora da pesquisa. O levantamento, coordenado por Katia Ferraz (Esalq/USP), utilizou armadilhas fotográficas em quase 500 pontos de nove áreas protegidas entre 2017 e 2021, com apoio do ICMBio e do projeto Onças do Iguaçu.

Entre as principais ameaças estão a degradação do habitat, caça ilegal, abate retaliatório — quando o felino é morto após ataques a gado — e atropelamentos. Projetos como Onçafari e Onças do Iguaçu buscam conectar fragmentos florestais, promover educação ambiental e criar alternativas econômicas para reduzir conflitos com comunidades locais.

A dieta da onça-pintada inclui porcos-do-mato, cervídeos e capivaras. Com o declínio dos grandes herbívoros, o felino passa a depender de presas menores, como pacas e quatis, o que compromete sua viabilidade. No Parque Nacional do Iguaçu, a população caiu de 60–70 indivíduos nos anos 1990 para apenas 9–11 na década de 2010, mas esforços de conservação permitiram recuperação para cerca de 25 animais. “É a única população da Mata Atlântica em estabilidade ou crescimento”, destacou Yara Barros, coordenadora do projeto Onças do Iguaçu.

Além do monitoramento e censos regulares, a iniciativa aposta em estratégias econômicas, como o programa Onça Compensa, que transforma a percepção da espécie de ameaça em fonte de renda e orgulho para comunidades vizinhas.

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