da Redação
07 junho 2026
Parada LGBT+ em SP prega “renovação política” e exibe urna gigante.
A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ tomou conta da Avenida Paulista neste domingo (7), com o tema “Parada SP 30 anos: A rua convoca, a urna confirma”.
O evento destacou a importância do voto e reforçou a necessidade de renovação política no Congresso, em meio a críticas ao avanço do conservadorismo no país.
Um dos símbolos mais marcantes foi a instalação de uma urna gigante, chamada Votinho, posicionada em local de destaque para lembrar que a luta por direitos também passa pelas eleições.
Participantes levaram às ruas tanto as cores do arco-íris quanto a bandeira brasileira, em um gesto de afirmação e pertencimento.
Entre os destaques, o assistente jurídico Wesley Araújo, 29, vestiu terno e faixa presidencial. “Quero mostrar que nós também podemos chegar lá, na presidência”, disse. Ele reforçou que a escolha de deputados e vereadores é tão decisiva quanto a eleição presidencial.
“Estamos na rua para mostrar que existimos e resistimos. A visibilidade é fundamental.”
Maurício José de Santana, 61, cuidador de idosos, foi à Paulista com a camisa da seleção e uma bandeira do Brasil.
“Vim para mostrar que o pessoal LGBT+ também ama futebol, também ama a seleção”, afirmou. Apesar da celebração, ele alertou para os riscos das próximas eleições: “Essa pode ser a última Parada, dependendo do que vier. O voto consciente é vital.”
Diversidade e resistência

O evento reuniu fantasias, drags, cores e música. DragZonna, muito requisitada para fotos, resumiu o espírito da festa:
“Queremos mostrar nossa resistência e força criativa. Nossos direitos estão sempre ameaçados, por isso precisamos escolher representantes comprometidos.”
A recepcionista Rafaela Fernandes, 33, levou sua cachorra Mel Radical, vestida com asas e roupas coloridas. “Ela simboliza amor e respeito. Eu venho para apoiar a comunidade e lembrar que o voto pode proteger ou colocar em risco esses direitos.”
Palco político e cultural
Com 14 trios elétricos e shows de Pabllo Vittar, Gloria Groove, Urias e outros artistas, a Parada seguiu até a Praça da República.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, representou o governo federal. o prefeito Ricardo Nunes e governador Tarcísio de Freitas não compareceram.
A edição ocorre em meio à queda de 60% nos patrocínios publicitário, reflexo do avanço do movimento “anti-woke” e da retração de empresas em apoiar ações de diversidade.
“Não podemos ser tratados como cidadãos de segunda classe”, disse Matheus Emílio, diretor da Parada. “Por isso, o voto consciente é central.”
Outro ponto de tensão é o projeto de lei aprovado em primeiro turno na Câmara Municipal que proíbe a presença de crianças em eventos que façam referência à comunidade LGBTQIA+.
Para os organizadores, a medida é um ataque direto. “A Parada está no calendário oficial da cidade e vai continuar acontecendo”, afirmou Emílio.

Chamado às urnas
Sem estimativa oficial de público, mas com expectativa de grande adesão, a Parada reforça um recado: ocupar as ruas é garantir visibilidade, e votar é assegurar direitos.
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