O cartaz com a oferta de recompensa de Doca, terror do CV. (Reprodução)


Autoridades do Rio de Janeiro divulgaram, na tarde desta terça-feira (28), um cartaz oferecendo recompensa de R$ 100 mil por informações que levem à captura de Edgard Alves Andrade, conhecido como Doca, apontado como líder do Comando Vermelho no estado.

O valor iguala a recompensa histórica oferecida por Fernandinho Beira-Mar.

Durante uma das maiores operações policiais do ano, o Disque Denúncia anunciou a recompensa por informações que levem à prisão de Doca — também conhecido como Urso.

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Segundo a Polícia Civil, ele é uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV), alvo de mais de 20 mandados de prisão e atualmente foragido do sistema prisional.

Essa é a maior recompensa já oferecida pelo serviço, equiparando-se ao valor pago em 2000 por informações sobre Fernandinho Beira-Mar, então chefe da mesma facção.

A divulgação do cartaz ocorre simultaneamente à megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, que mobilizou 2.500 agentes das polícias Civil e Militar. A ação tem como objetivo cumprir 51 mandados de prisão, incluindo alvos em outros estados.

Doca é investigado por mais de 100 homicídios, entre eles execuções de crianças e desaparecimentos de moradores em áreas dominadas pelo CV.

Em outubro de 2023, ele foi apontado como mandante da execução de três médicos e da tentativa de homicídio de uma quarta vítima em um quiosque na Barra da Tijuca.

As vítimas participavam de um congresso de medicina e foram confundidas com milicianos da comunidade de Rio das Pedras.

De acordo com as investigações, Doca também teria ordenado ações violentas em Gardênia Azul e Rio das Pedras, áreas de conflito entre traficantes e milicianos. Seu braço direito, conhecido como BMW, é suspeito de liderar ofensivas nessas regiões e também é procurado pela polícia.

Em setembro de 2024, Doca foi um dos alvos da Operação Buzz Bomb, deflagrada pela Polícia Federal para combater o uso de drones lançadores de granadas por integrantes do CV. Na ocasião, a 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa decretou sua prisão preventiva. Ele foi denunciado por organização criminosa e posse de material explosivo — crimes que podem somar até 14 anos de prisão.

A escalada da violência e a complexidade das investigações colocam Doca entre os criminosos mais procurados do estado. O Conselho Nacional de Justiça confirma que há mais de 20 mandados de prisão ativos contra ele, expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.